terça-feira, 25 de setembro de 2007

Tudo passa. E tudo recomeça.

Dois anos, sete meses e mais alguns dias.

Este é o período em que trabalhei na FC2, uma agência de marketing promocional, aqui em São Paulo.

Ontem, um pouco surpreendido, mas nem tanto, chegou ao fim um período em que aprendi muito. Cheguei lá sem conhecer coisa alguma de marketing. Sentia-me um alienígena naquele mundo tão diferente de todos em que havia vivido. Com o tempo, a sensação foi amenizada.

Meus agora ex-companheiros são boa gente, mas também houve quem não valesse a pena.

Tudo passa. E não estou triste.

Nos últimos tempos sentia-me um tanto consumido por um contexto que não era exatamente bom. Mas passou.

E não estou triste. Tudo recomeça. Sei que outras portas podem se abrir. Não carrego mágoas porque já vinha cansado e agora tenho que ter uma bagagem leve para a próxima viagem. Mágoa é algo muito pesado e ninguém precisa disto.

Num instante, pensei que, para ilustrar este post, eu poderia escolher uma foto com uma fila de gente desempregada, qualquer coisa assim. Mas não é o caso. Prefiro algo mais positivo, porque estou confiante que lá na frente e em pouco tempo, coisas boas virão.

Porque sei quem sou. E sei o que posso e o que mereço.

Aliás, se alguém souber de alguma empresa interessante, em São Paulo, seja uma agência, editora, produtora que precise de um revisor/redator e possa me oferecer condições razoáveis, onde possa desenvolver um bom trabalho, não deixem de me colocar a par... eh eh eh!

Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: AMELIA - Un Lindo Despertar.

domingo, 23 de setembro de 2007

Sim, podemos bailar


Já faz muito tempo.

Eu já escutava rock feito por bandas latino-americanas e gostava. Minhas primeiras referências foram os argentinos Fito Páez e Charly García, além dos chilenos de Los Jaivas. Tudo meio por acaso, mais ou menos há dez anos, quando eu ainda não tinha noção do mundo virtual e das facilidades do mp3.

Não entendia o porquê de haver tão pouco interesse da maioria dos meus amigos em relação ao rock cantado em castelhano. Ou pior, entendia...

Sei bem, não havia espaço em mídia; há as rusguinhas infantilóides em relação aos hermanos, sobretudo os argentinos; o próprio fato de estarmos no único país do continente onde se fala o português... enfim, por conta disto e doutras coisas, há um grande vácuo entre as culturas rocker de Brasil e da América Latina.

Mas... sempre quis que isto mudasse. E então aparecem dois caras com uma idéia excepcional, de trazer um pouco de Latinoamérica para os nossos ouvidos, nossos olhos, nossas vidas. Eles são Rodrigo Maceira, este velho conhecido de papos culturais na agência em que trabalhamos, que também é escritor, e Fernando Paiva, guitarrista e compositor da banda carioca Luisa Mandou um Beijo.

Ambos já se conheciam a algum tempo e em algum momento, encontraram-se em Barcelona, onde começaram a discutir possibilidades de fazer alguma coisa acontecer. Nasceu Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución, que é um coletivo de pessoas com boas idéias e vontade de realizá-las. A princípio, a revolução está centrada em música, mas eles pretendem estender seus domínios às áreas de literatura, cinema, artes plásticas e, também, desenho gráfico. Para isto, contam com a colaboração de gente talentosa do Brasil, da América Latina e também da Europa.

O primeiro fruto de Si No... é a coletânea Porque Este Océano Es el Tuyo, Es el Mío, cujo nome é retirado da poesia de Neruda, Oda a las Cosas, e que reúne 17 bandas indie e contemporâneas de Chile, Peru, Argentina, Brasil, México, Venezuela, Uruguai e Colômbia. E a experiência vale, mas vale muito a pena. Até pelo projeto gráfico riquíssimo, como vocês podem conferir, levado a cabo pelas mãos do ilustrador e também camarada de trabalho Gustavo Gialuca.


Abaixo segue uma breve descrição de cada faixa do álbum. Regozijem-se!

El Sueño de la Casa Propia - Faramalla Experimental e inusitada mescla de banjo e barulhinhos eletrônicos, Faramalla é a marca do chileno José Cerda e seu projeto El Sueño de la Casa Propia.

Javiera Mena - Casan A viagem prossegue suavemente com a também chilena Javiera Mena e a doce Casan.

Amelia - Adiós Originário do Uruguai, o quarteto aposta, nesta faixa, em indie rock anos 90 com sotaque castelhano. Em seu disco Pocos Nombres para Demasiadas Personas, diversos cantantes convidados. Em Adiós há Francisco Coelho (Danteinferno e Pompas).

Luisa Mandou um Beijo - Anselmo Ótima melodia, contagiante, a primeira representante tupiniquim da coletânea comparece com Anselmo, que mescla Glauber Rocha e rotina de classe média.

Lissa - Mi Amigo Reno Quando uma Grã-Bretanha indie floresce no México? Quando uma banda como Lissa soa como Radiohead em The Bends.

RadioGrad - Modelh Claro que para alguém completamente leigo é surpreendente que da Colômbia tenha surgido uma banda com influências como Radiohead ou Explosions in the Sky. Pois assim é o RadioGrad, que comparece aqui com Modelh.

Gepe - Namás O compositor chileno Gepe se apresenta com a faixa Namás. Um tanto folk, um tanto andina. É pra descobrir mais, assim como acontece com todas essas bandas.

Él Mató a un Policía Motorizado - Navidad en los Santos Talvez a mais argentina das bandas relacionadas, com suas melodias de voz parecidas, às vezes, aos hinos que os torcedores de Boca ou River cantam nos jogos de seus times. Uma das minhas prediletas a algum tempo.

Ondo - Personal A mais Marc Almond/Depeche Mode/New Order do disco. Não que o argentino Sebastián Carreras quisesse que seu novo projeto soasse como uma banda ou outra. Há uma definição melhor para seu som: pop de qualidade.

Modular - Encapsulados Os velhos temas futurísticos dos anos 60 e 70 estão presentes aqui, renascidos nesta faixa do duo argentino Modular. Remeteu-me a Stereolab, desde a primeira audição. Psicodelia pura é pouco pra definir.

Filme - Naufrágio Mais psicodelia, muitas passagens bastante diferentes entre si. Um quê de Tropicália e a sensação de que os anos 60/70 jamais acabaram. É isso que esta banda brasileira oferece.

Coiffeur - Que Mala Suerte! Violões de folk e voz anasalada lembrando um pouco Morrissey. Este é o argentino Guillermo Alonso, o cara por trás do Coiffeur.

Hacia Dos Veranos - Despertar Um pouco de sonho, um pouco de despertar para algo. Um dos temas - instrumental - do primeiro CD, De los Valles y Volcanes, recém-lançado.

Resplandor - Oeste Puro shoegazing vindo do Peru, de onde jamais se imaginava ouvir algo assim. Grata surpresa, sem sombra de dúvida.

Apanhador Só - Pouco Importa O Apanhador Só não parece uma banda do Rio Grande do Sul, mas é. Mais? A conferir.

Telegrama - Deja de Hablar Há urgência na música do trio venezuelano Telegrama, Deja de Hablar. Mas "el tiempo pasa y todo sigue igual". Não que seja culpa deles.

Bazar Pamplona - O Rei Não Sabe Brincar Deboche psicodélico para encerrar. E encerrar em grande estilo. A paulistana Bazar Pamplona mostra que o rei não sabe mesmo brincar.

O CD está sendo vendido a um preço bem acessível - R$ 10,00 - e pode ser encomendado através do e-mail sinopuedobailar@gmail.com ou do site http://www.mmrecords.com.br, além de estar a venda na Sensorial Discos, em São Paulo - R. 24 de Maio, 116 - Loja 7 (rua alta), próximo do metrô República, Tel.: (11) 3333-1914.


Espero que a revolução realmente cresça e aconteça e que, de alguma forma, direta ou indiretamene, possa colaborar em todo este processo. Porque se não pudermos bailar, jamais será nossa revolução.

Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: LOS JAIVAS - Mira Niñita.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Defective Smile

Defective Smile
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FIZ LIMPEZA NOS DENTES.
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ESTOU SATISFEITO COM MEU SORRISO LIMPO, MAS AINDA DEFEITUOSO.

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MEU NOME?

VOCÊ NÃO ADIVINHA MEU NOME...

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Ah, não... isso é só a poesia do instante. Se é que é poesia.

Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: HELLO SAFERIDE - Highschool Stalker.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Pra você levantar do sofá

Ah... você não tem o que fazer nesse final de semana, né? Então dá uma lidinha nisso:

Acontece neste final de semana, dias 22 e 23 de setembro, o 36º Festival Internacional de Danças Folclóricas, organizado pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. O festival já é bem tradicional e, além de apresentações de dança de diversos países, ainda conta com comida típica e artesanato.

O camarada Alex Colaneri, que é redator na agência onde trabalho, vai estar lá com um grupo de danças folclóricas árabes, o Mabruk!, que já existe há dois anos. Ele representará a Síria e o grupo provavelmente estará atuando por volta das 18h do dia 22, sábado.

Parece uma oportunidade interessante de fazer contato com pessoas e culturas diferentes.


E o melhor de tudo é que não é caro. A entrada é R$ 7,00. Vamos?

Beijos e abraços! Vejo você lá!

NA MINHA VITROLA: COIFFEUR - Que Mala Suerte!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Voyage dans la Lune

Desta vez, vamos à França de Georges Méliès e conhecer os primórdios da ficção científica no cinema.

Méliès era proprietário do Théatre Robert-Houdin em Paris, que havia pertencido ao famoso ilusionista francês Jean-Eugène Robert-Houdin. Ganhou um protótipo criado pelo cinematógrafo inglês Robert W. Paul e ficou entusiasmado, filmando cenas cotidianas em Paris. Um dia, sua câmara parou de repente, mas as pessoas não paravam de se mexer e quando ele voltou a filmar, a ação feita na filmagem era diferente da ação que ele estava filmando. A esta trucagem ele deu o nome de stop-action; criou várias outras como perspectiva forçada, ou filmagens a alta e baixa velocidade. Durante uma década, criando filmes fantasiosos, Méliès foi considerado o melhor cineasta do mundo.

Voyage dans la Lune

Com este filme, Méliès é tido como o criador do gênero ficção científica, incluindo o primeiro aparecimento de alienígenas no cinema. Esta obra-prima conta também com diversos efeitos especiais e técnicas cinematográficas inovadores naquele tempo, como a sobreposição, fusão, dupla exposição de imagens etc.

FRA, 1902. Dirigido por Georges Méliès. Com Victor André, Bleuette Bernon, Brunnet ..., Jeanne d'Alcy, Henri Delannoy, Farjaut ..., Kelm ..., Georges Méliès. P & B. 11'48''.

Voyage dans la Lune



Beijos e abraços, pessoal!

Fontes
Filmescópio
Wikipedia

NA MINHA VITROLA: INTERPOL - No I in the Threesome.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007

At Land

Olá, pessoal! Começo aqui a postar uma série de curtas que juntos, formarão um panorama - ainda provavelmente falho - da história dos curta-metragens. Tive essa idéia a partir do acesso a um blog excepcional que reúne curtas e longas de diversos gêneros e procedências, o Filmescópio.

O que realmente sugiro é que não se contentem com o que mostro aqui. Lá tem muito mais a ser visto. Que seja uma referência essencial para todos nós.

Pois bem, o primeiro curta que apresento é At Land (Em Terra), da ucraniana crescida nos EUA Maya Deren.

Autora de um corpo teórico rico e complexo, bem como de uma obra fílmica significativa, Maya Deren (1917–1961) foi uma das cineastas que mais explorou as afinidades entre o cinema, a dança e a escrita. Através da reflexão sobre o conceito de coreografia para câmara (coreocinema) e do seu desejo de provocar através do filme uma simbiose entre o movimento filmado e a imagem em movimento (entre o bailarino, os objetos e a câmara).

At Land

Primeiro filme em “transe” do cinema americano “puro”. Mostra o percurso de uma mulher (Maya Deren) pelo mar, bosque, rocas, passando despercebida pelas pessoas.

EUA, 1944. Dirigido por Maya Deren. Com John Cage, Maya Deren, Alexander Hammid. P & B, 15’00’’.

At Land, Part 1

At Land, Part 2


Espero que tenham apreciado. Muito em breve, volto com mais curtas pra vocês. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - American X.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Olhos de Holly Golightly

Olá, pessoal! Após um tempo distante do blog, vai um poeminha doce para encharcar olhos de donzelas...

Tá, vamos falar sério! Pensei que Scarlett O'Hara já foi imaginada nas minhas linhas, então não seria ruim imaginar uma Holly Golightly, personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's). Aí vai:


Olhos de Holly Golightly

ela vem com seus olhos de diva das telas
ela vem e ele a vê... passar
o que resta é
a sensação de perder o que não se ganhou
tudo o que ele quis, beber da fonte daquele olhar.

ela fala com a voz que sai de sua boca
ela fala e ele escuta... se cala
sabe a razão
são as ciladas nascidas de sua fantasia
num instante imaginou viver dos beijos que se vão.

ela se vai com suas pernas, colo, sexo
ele a despe devagar... sem tocar
as mãos tremem
e nunca alcançam a pele que se desfaz no ar
quase esquece que queria guardar aqueles seios.

já deixou de existir, a miragem em sua memória
e enquanto era nem reparou no rapaz
que viu em seus olhos
os olhos de uma diva de cinema
os olhos de Holly Golightly


Em breve, novidades! Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: THE ARCADE FIRE - Black Mirror.