segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Lucky

Porque tudo tem um fim. Desde os períodos em que nos sentimos por alguma razão seguros até uma breve série temática de poesias.





Lucky

aquele é um garoto de sorte.

os dramas sempre desviam dele.



___________medo?

é uma palavra que não conhece.



a confiança o acompanha.

até quando?



Como saber? Não é possível. Apenas sei que voltarei aqui com algo novo pra contar a vocês, qualquer hora dessas. Beijos e abraços!


NA MINHA VITROLA: OASIS - Champagne Supernova.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Travesti

O simulacro... a busca por ser o que não se pode ser, então o que temos aqui é o...


Travesti

all is rock. and roll.
___todas as mulheres
___e as drogas.



é o tempo de esvaziar-se
_________para preencher-se.



os tempos são hard. core.
sólidos apenas os obstáculos que, por covardia, você não quer ver
____________________tudo o que você não queria.


___traveste-se de alegria.


amanhã

_________é outro dia...




E ainda nesta semana, o desfecho!


Beijos e abraços!


NA MINHA VITROLA: THE EDITORS - Push Your Head towards the Air.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Suas raízes

Vocês já tiveram medo. É o limiar entre o atirar-se ou o voltar atrás. Entre o ser e anular-se. Eu já tive medo e muitas vezes este amigo/inimigo íntimo me visita. Se há algo a matar, este algo é o medo.

E hoje apresento a vocês a primeira parte de minha trilogia de breves poesias sobre o tema.


Suas Raízes

você precisa
______precisa
________ter os pés
______________no chão


encara seu medo!

a montanha-russa...




____________- ok, vamos!


_____a altura... faz tremer...




















_________________________
agora você pode morrer feliz...

_________________e livre!

Sem medo de seguir em frente, nos próximos dias, a segunda parte. Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: LUDOV - Rubi.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Nietzsche, Schopenhauer, sistemas, a imprensa vampírica e sair pra ver o sol

Enfim... quanto tempo? Quanto tempo passou desde a postagem de um último texto meu? Eu já sentia falta. E vocês?
Mais de um mês... espero, ao menos, que o conto do Nelson Rodrigues postado aqui em pedacinhos - bem ao gosto de Jack the Ripper - tenha sido algo mais que interessante que minha viagem ao âmago das idéias que escapam (nome bobinho para substituir o já manjado termo "crise criativa").
Bom, agora estou aqui, com minhas próprias palavras. As meninas podem cair aos meus pés e os meninos podem pensar "quando crescer eu quero ser igual a ele". Enquanto lêem, aconselho vocês a ouvirem um bom Pink Floyd, que estava na minha cabeça e que influiu quase diretamente na composição deste conto.

Pronto! Já demonstrei minha alegria quase pueril. Agora vamos lá:

Nietzsche, Schopenhauer, Sistemas,
a Imprensa Vampírica e Sair pra Ver o Sol
Os temas da conversa, da manhã, de algumas vidas.
Dois velhos jovens e letrados amigos conversam no Metrô. Já conformados com o fato de que nada vai mudar. Conformados com a natureza. A humana.
Um capta idéias para um futuro texto. Este. Já não é mais futuro, então.
Eles provocam. Eles sabem.
Não muito distante, uma chiquita hermosa fita um, fita outro. Sol forte de verão em pleno inverno. Eles devolvem com discrição o fitar, apesar que um fixa-se mais. Nenhuma palavra sobre, mas também todas as palavras são pra eles. Pra ela – um pouco.
Talvez uma estudante de História ou Serviço Social. Ou uma consumidora de programas de TV para a massa embrutecida. Ou tudo ao mesmo tempo num pacote aprazível aos olhos.
Despercebem ou não querem perceber o senhor que se põe ao lado. Ele ouve e fita também. Sol repleto de verão no murcho inverno, patriótico inverno. Porque sabe que aquele povo é feito pelo e para o sol. Um deles, um dos velhos jovens e letrados amigos, desce.
O que fica pergunta ao senhor, finalmente desfingindo: “Quer sentar-se?” Diz-que-não. Está vivo. Isto é para quem trabalha. Atravessa a cidade pra ver o neto. O universo contraído fica entre Itaquera e Aclimação. Duas solidões já se juntarão e serão nenhuma. Está vivo. Chega sua estação.
Sai pra ver o sol.

Espero que tenham gostado, porque eu gostei ao menos um pouco. Com o tempo eu posso gostar mais ou esquecer este texto. Afinal, é o tempo que rege tudo - até os gostos.

Beijos e abraços!

Us and them

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - FINAL

Hoje conheceremos o destino de nossos personagens. Ai ai...


VI - O Plural: A Prova

Segundo o De Paula, Ada encontrava-se com o amante três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas, num edifício de quatro pavimentos. Era uma terça-feira e Quintanilha teve que esperar ainda 24 horas. Advertira, porém, o miserável: “Não adianta fugir, porque eu te matarei ainda que seja no inferno!”

O canalha quis saber: “E se eu provar? Não farás nada?” Jurou: “Nada!”

Ficou assim combinado. Na tarde seguinte, do interior de um táxi, e na companhia do abjeto De Paula, Quintanilha viu a esposa descer de outro táxi, com um homem, e entrar no edifício. De Paula vira-se para ele numa euforia hedionda: “E agora? Estou livre?” Quintanilha nega:

- Ainda não. Tu disseste que minha mulher tem amantes. Por enquanto, eu conheço um. Quero os outros.

De Paula tem um esgar de choro:

- Mas é só um! Só tem esse! Só tem esse amante!

Rápido, Quintanilha o abotoa:

- Se tem um, apenas um, por que disseste que minha mulher tem amantes? O que eu não te perdôo é o plural. Vais morrer por causa desse plural!

Ali mesmo, deu-lhe dois tiros.

Fim

Não me culpem de nada, hein? A culpa toda é do Nelson Rodrigues... eh eh eh!

E, em breve, a volta dos meus contos inspirados em músicas. Beijos e abraços, amigos!

NA MINHA VITROLA: JUANA MOLINA - No Seas Antipática.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - Parte 5

Apresentando o primeiro e único De Paula rodrigueano:

V- O Plural

Quintanilha não conseguiu dormir nessa noite. Pela manhã, saiu de casa normalmente, depois de beijar a mulher na boca e de adverti-la: “Hoje, tenho que resolver uma parada duríssima.” Foi só. Ela, curiosa, ainda perguntou: “Qual?” Quintanilha brincou: “Depois eu conto!” Vinte e poucos minutos depois, estava no escritório do De Paula. Sóbrio e sucinto, declarou o seguinte: “Eu soube que você anda falando mal de minha mulher.” Lívido, o outro gaguejou: “Eu?” E Quintanilha, quase cordial:

- Perfeitamente. Você, sim. E de duas uma: ou você prova o que diz ou eu o mato como se mata um cão danado. Escolha.

De Paula balbucia, apavorado:

- Provarei.

Continua

Será que ele vai provar mesmo? Será que Ada é infiel? E terá De Paula o crânio estraçalhado por Quintanilha?

Mas... e se tudo foi uma armação para prejudicar o De Paula? Pobre coitado... será?

Estas e outras questões serão respondidas no próximo episódio de O Plural - o episódio definitivo! Aguardem e verão!

Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Cold Wind.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Você sabia que...

... agora pode assinar o blog e se manter em dia e com alma?









Não que você vá perder a alma caso não leia este blog, mas é melhor se garantir, né?

Beijos e abraços, pessoal!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - Parte 4

Bom, já que a vida deve continuar... aí vamos nós, no ritmo do De Paula, caluniador de mulheres... eh eh eh!

Mas... será calúnia mesmo?



IV - O Plural: Ódio

Leon deixa-se cair numa cadeira:

- Não liga, dá o desprezo!

Leon passou, lá, umas duas horas argumentando. Vendo o estado do amigo, já achava desaconselhável e imprudente o simples desagravo do chicote. Insistia: “Todo mundo sabe que o De Paula é um mentiroso, um débil mental, capaz de caluniar a própria mãe.” Materialmente enfermo, Quintanilha já não reagia mais, ouvia, só, de olhos injetados, a alma destruída. Leon, no remorso de ter falado, de ter criado a situação, continuou:


- Basta cortar relações, negar-lhe o cumprimento. O tiro é um golpe errado. É uma solução heróica, que a besta do De Paula não merece! E agora? Vais fazer o quê?


Balançou a cabeça:


- Não sei. Estou incapaz de pensar, de raciocinar. Amanhã, fala comigo, sim?

Leon saiu, afinal. Praguejava interiormente. “Sou um imbecil completo! Que mania besta de dar palpites na vida dos outros.” Aflito, tratou de procurar, por toda a cidade, o De Paula. Mas em vão. Acabou desistindo, deixando para o dia seguinte.

Continua

Falta pouco, pessoal. Falta pouco. Beijos e abraços!


NA MINHA VITROLA: WE ARE SCIENTISTS - This Scene Is Dead.

domingo, 29 de julho de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - Parte 3

A história prossegue. E é hora de vocês conhecerem Ada.


III - O Plural: O Anjo

Ora, Quintanilha era um homem casado e muito bem casado, aliás. Adorava a esposa, embora tivesse as amantes eventuais. No seu temperamento alegre, extrovertido, costumava dizer: “Sou o único marido que gosta da esposa, o único!” E vamos e venhamos: Ada era um anjo. Vivia para o marido e o lar, só. Trazia a casa, que era um brinco, uma tetéia. O deslumbrado Quintanilha reconhecia para a própria mulher:

- Sabe que eu ainda não descobri um defeito em ti?


Ada punha as mãos na cabeça: “Está me pondo uma máscara tremenda!” E aduzia: “Não há ninguém perfeito, meu filho!” Pois bem. Era essa a mulher que o De Paula queria macular com sua irresponsável maledicência. Fora de si, o Quintanilha arremessa-se:


- Fala mal de Ada? Tem essa coragem? Ah, cachorro! Eu mato o De Paula! Por essa luz que me alumia eu mato! Esborracho-lhe o crânio!


Atirava patadas no assoalho, num furor magnífico e inútil. Súbito, vira-se para o Leon: agarra-o pelos dois braços:

- Eu não me incomodo que falem mal de mim. Podem me chamar, até, de ladrão de galinhas. Mas não concebo que se diga nada de minha esposa. É uma santa de alto a baixo.

Ao lado, Leon parecia impressionado e, mesmo, arrependido. Já admitia que a revelação pudesse ter conseqüências funestas. Quis reduzir as proporções de um revide mais que provável; e aconselhou:


- Tiro pra quê? Corta-lhe a cara a chicote, a rebenque!

Súbito, Quintanilha põe a mão no ombro do outro, numa curiosidade que o distraiu, por momentos, de sua dor: “E que diz esse patife de minha esposa? Fala. Quero saber! Como marido tenho o direito de saber!” Leon relutou; quis ficar no vago, no teórico. Mas o amigo o ameaçou: “Rompo contigo!” Quase sem voz, baixando a vista, num desconforto físico e moral, tremendo, bufa, por fim:


- O De Paula diz que tua mulher tem amantes!

Quintanilha recua dois passos, num espanto maior que a dor, que a indignação, que tudo. Repete, desvairado: “Amantes?” Aperta a cabeça entre as mãos:


- E nem ao menos é um só. São vários!


Agarra-se ao Leon: “Se ele põe no plural é porque tem vários!”

Continua

Não demora a surgir mais uma parte, pessoal! Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: TRAVIS - Battleships.

sábado, 28 de julho de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - Parte 2

Prosseguindo com as descobertas de Quintanilha sobre De Paula...


II- O Plural: De Paula

E, de fato, podia dar-se ao luxo desse desprendimento, dessa superioridade.

Dois dias depois, porém, é procurado, no escritório, por outro amigo, o Leon. Quintanilha abre os braços, numa efusão patética: "Quem é vivo aparece!" Depois dos abraços, dos tapinhas nas costas, pergunta, alegremente: "A que devo a honra dessa visita?" Leon pigarreia, faz a pergunta:


- Tens visto o De Paula?

- Vi. Ainda hoje, vi. Dei-lhe um abraço. Por quê?


Leon levanta-se. Anda de um lado para outro e, por fim, decisivo, estaca diante do amigo:


- O De Paula não merece o teu abraço. Merecia, sim, que lhe partisses a cara. Um canalha muito ordinário!

Surpreso e divertido, Quintanilha repete: "Você acha que eu vou dar confiança de me zangar com o De Paula? Deus me livre! Ele pode falar de mim à vontade! Tanto faz, como tanto fez! Considero o De Paula um verme!" Então, Leon resolve por as cartas na mesa:


- Mas a questão é a seguinte: não é de ti que ele fala mal.


- Então, ótimo. Se não é de mim, qual é o drama? E de quem ele fala, afinal?


O amigo foi sumário:


- Da tua mulher. Compreendes agora por que eu disse que o De Paula merecia que lhe quebrasses a cara?


Continua

Aguardo vocês! Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: JARVIS COCKER - Big Julie.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

O plural, de Nelson Rodrigues (A Saga de De Paula) - Parte 1

Gosto de Nelson Rodrigues e da forma como ele expôs o que havia de obscuro no comportamento humano, em sua época.

Há muito tempo não o lia. Então num belo dia um colega da agência em que trabalho me diz que comprou A Vida Como Ela É, e eu fico surpreso quando ele me diz que há um De Paula ali.

Ora, bolas! Eu sou um De Paula. Então mais que surpreso, fiquei curioso. E aposto que alguns de vocês estão agora.

Então, vamos lá?
Vamos. Mas por partes... em dez dias vocês terão o conto inteiro postado aqui. Por hoje, divirtam-se com esta primeira parte.


I - O Plural

Foi avisado:

- Cuidado com o De Paula! Cuidado com o De Paula!

- Por quê?

O informante atrapalha-se:

- Bem. O De Paula é um veneno, percebeste? Fala mal de todo mundo!

Quintanilha pôs o cigarro no cinzeiro:

- De mim também? Desembucha! Fala mal de mim?

E o outro:

- Mais ou menos. Anda dizendo, a teu respeito, coisas bem desagradáveis.

Quintanilha ergueu-se. Bem-sucedido na vida, feliz nos negócios e no casamento, não tinha invejas, nem complexos. Ao passo que o De Paula, mirrado, pequenino, com catarata numa das vistas, era um amargurado, um revoltado. Apanhando outro cigarro, Quintanilha acha graça:

- Você acha que eu vou ligar para o que De Paula diz? Eu, logo eu? É um pobre-diabo, um cretino de pai e mãe. Deixa pra lá!

continua


Podem me xingar... eh eh eh! Mas logo logo haverá a parte 2. Beijos e abraços, pessoal!


NA MINHA VITROLA: JOE COCKER - Unchain My Heart.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Consumido

Um conto infernal, amigos... um conto infernal! Mas tanto que nem faz parte da recente série de contos. Confiram!


Consumido

Insano. Era assim que tinha de ser naquele dia.

Não à frustração de um emprego que não era. Não ao fato do combinado com os amigos não ter sido. A imagem de Pedro era cruciante a qualquer um que o visse.

Desesperado, vagava pela noite, abrindo as portas dos quartos de hotéis e expondo as intimidades dos amantes. Vagava pela noite, revelando inutilmente a hipocrisia das largas avenidas, escuras e vazias. E inutilmente, porque jamais...

Nunca o espaço exato onde despejar o corpo incansado, impensável.

Então, passa a noite. Volta ao bairro. Pode mais, pede mais. Um último fôlego, Pedro. Um último fôlego...

Não vê quem o vê. Aqueles que se alimentarão da sua loucura. Expectativas são criadas, planos arquitetados. As pedras rolarão todo o tempo. Não se importa, o Pedro, porque não desconfia. A única coisa possível a partir disso é a implosão.

Hoje a gente ganha em cima do otário.

Bar após outro, insano ao cansaço, ao inferno. Foram as garrafas, o bilhar, as palavras, o delírio. Tudo falseava sob o signo da mentira construída. Ou a única verdade era a fraude. Quando veio o golpe que separou sua cabeça do resto do corpo, nem percebeu. E continuou rindo, como o palhaço, e chorando de rir, sem perceber que a tragédia era o que lhe sobrara. O tempo consumido até que...

Deu-se conta! Tarde demais. Os amigos não existiam. Os inimigos tripudiavam. Os desconhecidos apontavam o dedo repugnando o espetáculo, que era ele. Sim... ele, o pesadelo consumido até a última possibilidade.

Fez a última das coisas que poderiam ser feitas: juntou o que sobrara do seu nada e foi à casa dormir. Até o próximo grito.

Abraços e beijos, pessoal! Até a próxima, quando um nome tradicional de nossa literatura e teatro terá espaço graças a uma situação que envolve o sobrenome deste que vos fala. :-)

domingo, 15 de julho de 2007

Três irmãs + um trauma = L'Enfer

Ah, o cinema, meus amigos, o cinema será a nossa salvação, ainda que digam que já chegou ao fim...

Aves parasitas, o mito de Medéia, tragédias familiares e três mulheres. Estes são os ingredientes para o Inferno segundo Tanovic. Ou o Inferno segundo Kieslowski.



É bem sabido para os aficionados de cinema off-Hollywood que o diretor polonês Krzysztof Kieslowski (de A Dupla Vida de Véronique e da trilogia das cores da bandeira francesa), antes de morrer, deixou o roteiro de uma trilogia baseada em paraíso, inferno e purgatório.

É bem sabido também que o primeiro fruto destes roteiros é Heaven, dirigido pelo alemão Tom Tykwer (Corra Lola Corra e o recente O Perfume). Heaven não funciona, a meu ver, tão bem. Talvez porque Tykwer é tão pouco Kieslowski e Cate Blanchett é tão pouco Juliette Binoche ou Iréne Jacob. Não importa tanto este primeiro filme, então.

2005 trouxe o inferno através das lentes do bósnio Danis Tanovic (Terra de Ninguém) e... surpresa! Funcionou! Talvez porque L'Enfer seja mais Kieslowski que seu irmão mais velho. Talvez pelo talento das atrizes, Béart, Viard e Gillain ou por elas simplesmente encarnarem melhor as musas de Kieslowski que Blanchett.


As irmãs Celine (Karin Viard), Sophie (Emmanuelle Béart) e Anne (Marie Gillain) parecem estranhas, nunca se encontram e raramente pensam umas nas outras. Uma tragédia de tempos de infância as une e as separa. E elas são tocadas pelo passado de diferentes formas. Celine é solteira e se dedica a cuidar da mãe idosa e em cadeira de rodas, que vive num asilo. Sophie é a esposa ciumenta que vai às últimas conseqüências para descobrir a infidelidade do marido. Anne é a garota apaixonada, que tem um caso com o pai de sua amiga e professor da Sorbonne, mas é dispensada por e
le.

Um elemento fundamental surge na vida de Celine, de forma que toda a verdade sobre a tragédia familiar vem à tona. É tarde demais para perdoar? E essas irmãs irão se unir em torno desta verdade? De que forma? Poderiam ser perguntas pertinentes, se o filme não tratasse, de verdade, sobre a incapacidade humana, em determinadas situações, de lidar com determinados traumas. E este, sim, é o verdadeiro inferno.

E uma verdade: trata-se de um filme essencial para a década.

O trailer não diz muita coisa, mas confiram:



Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: LEGIÃO URBANA - La Maison Dieu.

Modern Love?

Retomando o hábito dos filmes - é, eu havia parado por um tempo, em função de várias coisas. Entre elas, o tempo, que é ridículo e pouco frente tudo o que queremos e temos de fazer. Mas vamos ao filme:


Shi Gan / Time / Tempo
é o filme de 2006 do coreano Kim Ki-Duk (Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera) que se passa em uma moderna Seul onde vive o casal Ji-woo e Seh-hee.


Ela, extremamente insegura, em vista do tédio que se torna a relação de ambos, resolve fazer uma cirurgia plástica, mudar o rosto. Para tal, desaparece da vida do namorado. Ele tenta, a partir daí, refazer sua vida sentimental. Um jogo de aparências e adivinhações sórdidas tem lugar e nunca mais as vidas de ambos serão as mesmas.


Valeu a pena recomeçar por aqui. Espero que valha pra vocês. Confiram o trailer:



É isso por hoje. Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: VOLTURA - Hace Buen Tiempo > THE SISTERS OF MERCY - Detonation Boulevard.

domingo, 1 de julho de 2007

Amplidão

Um continho de amor, porque assim como os discos precisam de canções de amor, os livros precisam de algumas dessas tais histórias. E, se um dia calhar de só haver a literatura na minha vida - vai saber -, fica mais fácil pagar as contas assim... eh eh eh! Bom, vamos ao conto, que é baseado numa música do grupo norueguês Jaga Jazzist, Oslo Skyline.


Amplidão

Ampla.

A paisagem que se vê pela janela do ônibus. Esta que nos leva a outros lugares, outros tempos. Uma viagem dentro da viagem que fazemos.

É mais agradável assim, quando percebemos o todo da natureza ao redor da estrada - de mãos dadas. Realmente estamos juntos. E não me culpo por querer que seja sempre assim.

Ternura...

Mas quem saberia, de verdade?

O horizonte, distante, mas disponível ao toque do olhar, mostra uma história que não se revela. Não o futuro imediato. Não o final da história, em que um de nós cede e cada qual segue um caminho diverso. Pela morte ou pela vida.

Preferiria simplesmente deixar de pensar nisto e simplesmente me ver homem em seus olhos, não importando o que antes chamei de verdade ou o que um dia eu possa vir a chamar, que se sinta mulher em meus braços enquanto trilhamos o caminho conhecido de tantos e inédito a nós.

O momento. Algo que não se explica.

Transbordamos.

Mesclamos-nos em nossa jornada. Com os céus e as montanhas. Mesmo os arranha-céus da cidade onde deveremos chegar estão plenos de nós e do que espalhamos. Enxergo além da janela do ônibus. Você é a minha paisagem. Ampla.

Ok, é isso por hoje, pessoal! Beijos e abraços!


sexta-feira, 29 de junho de 2007

A minha música

Esta é a história de um amigo. Ele existe. A mãe, esquecida, não o buscava na escola. Ele ficava ali no portão, sozinho. Quase ninguém prestando atenção à sua solidão, até que...


A Minha Música

Ei, quem é você? Porque me olha com essa cara de dó? Nunca viu um cara triste sentado na calçada? O que você quer saber de mim? Quer saber quem eu sou, né?

Pois eu digo.


Sou o que sou, o que fui e serei.

É que eu choro, ontem criança, na porta da escola. Hoje eles me esquecerão outra vez.
- O que foi, menino?
- Mamãe... ela não v-veio me buscar...
Bom que eu aprendo sozinho o caminho. Mas carinho, amparo, proteção... nada disso é demais quando se é pequeno.

Uma vez eu me olhei no espelho e me vi grande, 20 anos, com minha sombra cantando aquela música. E olhando de novo, com 20 anos, enxergando o garoto de seis no espelho, verei que você me abandonava, me esquecia mais uma vez. Só que você já será outra pessoa.

Eu sou o que sou, o que fui e serei. Tudo ao mesmo tempo. Porque não muda. Porque carregarei comigo a dor que não pude negar.

E vivi marcado por isso.


Mas eu marquei o caminho de volta. Não precisarei mais do amparo dos que deviam me amar, na verdade, tão ausentes. Sou gente grande e posso mudar tudo. E se no fim nada der certo, ao menos o menino continuou a ter sua música.


Então eu também o vejo, fazendo o velho caminho da escola para a casa. São outros tempos - ele canta a música, baixinho, para si mesmo (é, o personagem recorrente!)...

E, à propósito, a música da vez é Galapagos, do Smashing Pumpkins. No mais, idéias fluem. Apenas não prometo que poderei executá-las. Mas tomara que sim.

Beijos e abraços, pessoal!


sábado, 23 de junho de 2007

Talvez e certeza

Notícias da busca de todos os dias por sentido. Este texto nasceu de uma audição de O Velho e o Moço, de Los Hermanos. Confiram, pessoal:


Talvez e Certeza

Noutro tempo, o primeiro... a casualidade de ter estado no lugar onde aquelas pessoas estiveram... elas buscando respostas, ele as carregando na mochila - ainda que não fossem as respostas definitivas. Ou eram o erro absoluto?

Não sabe muito bem o porquê. No sofá da sala onde existe o aniversário da amiga, um universo de pensamentos o atordoa, junto àquelas amáveis pessoas tão mais cheias de vitalidade que ele - afinal, há o violão, a música e a vontade de comemorar. Gosta de estar, mas o ritmo é outro.

Interno. Canta baixinho, repetindo a canção e oferecendo-a aos próprios ouvidos, no exercício de re-buscar-se ali, refletindo na letra da música, puro cristal.

O exercício é também tentativa de eliminar a interrogação do texto que o martela na mente a cada dia. Começar a envelhecer não é do jeito que pensava. Percebe o risco. Um começo de fim por adaptar-se às regras do jogo? O que importa menos, quando se sabe que é possível sabotar o regulamento. Se seguir o caminho certo, está bom. Mas... quão bom pode estar? E que caminho, afinal?

Por isso, anda com os mais jovens e de espírito contestador. Os que ainda não são massa sem reação e reacionária. Os que estão nos coletivos, como quaisquer outros, mas que não exibem a face sem expressão, como a maioria. Os que não têm as respostas, mas que têm em seus olhares o brilho do puro cristal. "Então, que busquemos juntos", pensa. Assim, não lhe parece que o mundo possa ir tão mal.

Talvez a busca não esteja sendo feita da forma correta - e ele já não é mais tão jovem para erros. Ou talvez seja um vampiro involuntário da juventude alheia, sugando sem se dar conta a energia de quem está ao redor.

Seja qual for o talvez que se tornará certeza, se é que haverá a certeza, ele gosta de estar ali, com aquelas pessoas, os ditos amigos. São poucos, mas bons.

São poucos, mas bons. Aqui poderia caber tantos de vocês... beijos e abraços!


terça-feira, 12 de junho de 2007

A música, outro ritmo

Depois de um intervalo de tempo, um conto sobre o tempo, baseado em Oração ao Tempo, do Caetano Veloso, que é uma composição do tempo em que mesmo as contradições dele eram mais interessantes.

Salvador Dalí, A Persistência da Memória (1931)

A Música, Outro Ritmo


Saudade do tempo em que o tempo não precisava ser conquistado. Simplesmente estava lá, para nós.

Era uma quimera...

É que sempre há o momento em que ele se rebela - ou será a vida? Sim, a vida é que se torna outra e fazemos qualquer coisa com o tempo, sem percebermos. E ele vai embora, sem percebermos.
O tempo que volta. O tempo dos apaixonados, dos que querem mudar o mundo.
Houve um tempo, Miriam, em que o poeta escrevia pra você, mas jamais mostrava. Você não pode se lembrar, porque só agora eu lhe digo.

Quando percebe, você se assusta. Vejo agora em sua fisionomia. Vi anos atrás, também. Você me faz querer rezar. Mas é justamente o que não faço. Posso, no máximo, desejar sem esforço que o tempo se torne novamente seu aliado. Apenas isto, porque, de qualquer forma, o tempo me mata. E é melhor o desejo sem esforço porque qualquer esforço é inglório.

É, com o passar dos anos... eu comecei a duvidar de sua relação com o tempo. E a dúvida cresceu até virar certeza do fracasso. Esta é a verdade.

Eu nem sei porque falo. Tudo continua como antes: ouvíamos a mesma música, mas não marcávamos o mesmo ritmo, com os pés.

O poeta, meu bem, aquele poeta que escreveu pra você... está morto. Eu o matei anos atrás, mas você não soube de nada. Matei-o da forma mais óbvia, sabendo que você não poderia saber. Fiquei ao seu lado, e isto você sabe bem.
O tempo que trai. O tempo do último leito... haverá a chance de dizer adeus?
Não podemos caminhar juntos agora, por causa de nossos ritmos, que são outros para cada um. Não somos capazes de dobrar o deus inflexível e caprichoso aos olhos de quem não entende. Mas ele... ele, sim, nos junta ou nos afasta. E mudar isto, ah... mudar isto...

Como, se não conseguimos entender a nós mesmos?

Neste clipe aqui, é a Rita Ribeiro quem canta:



Espero que disponham de algum tempo para perceber a vida que passa, pessoal. Ainda que talvez não ocorra a percepção, beijos e abraços!

sábado, 9 de junho de 2007

Funny Little Frog

Demonstrando pra pra um amigo como se coloca vídeo num blog.



Mas é tão bom, que vai ficar. :-)

Beijos e abraços, pessoal!