segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Mephisto

Como alguns de vocês já sabem, eu sou um amante irrecuperável do carnaval, tanto que fico em casa assistindo meus filmes, ouvindo minhas músicas, ano após ano. É realmente a prova absoluta de que a tendência a ser um bicho do mato é acentuada.

Hoje, vou falar de um desses filmes que ando assistindo.

Mephisto
István Szabó - Alemanha - 1981

Hendrik Höfgen é um ator. Ambicioso. Ele vive numa Alemanha em que o nazismo está prestes a se tornar uma realidade. Ele também é um autor e suas peças tem a influência bolchevique, suas idéias são revolucionárias e anti-burguesas.

Quando o novo regime tem seu lugar, Höfgen já deixou Hamburgo e se tornou um ator de destaque em Berlim. Sua atuação mais marcante é a de Mephistopheles, no Fausto de Goethe. Höfgen hesita um pouco por causa de seus amigos de tempos da causa revolucionária, da amante alemã, porém negra. Chega a deixar a Alemanha, mas retorna ao ter garantias de que não sofrerá incômodos de qualquer espécie. Na realidade, foi fácil para ele se acomodar à nova ideologia, afinal, ele é um ator. Ambicioso.

Quer ser o maior de todos. E consegue, não mais se importando com a obediência com a qual decide se dedicar ao regime. É o queridinho do primeiro-ministro, que o chama de Mephisto, o que é muito apropriado.

Höfgen lida com ilusões. É um ator de destaque, ilusão é sua matéria-prima, assim como é para Mephistopheles. O primeiro-ministro, homem culto e entendedor de teatro, sabe disso e enxerga Höfgen muito bem. Num único momento de fúria, quando Höfgen tenta interceder pela segunda vez por seu amigo Otto Ulrichs, o primeiro-ministro o expulsa aos gritos de seu gabinete, referindo a ele apenas como "ator". Dá na mesma. O ator Höfgen e Mephisto se mesclam, na visão do poderoso homem.

E, assim, Höfgen usa o sistema vigente para ter bem-estar e ser querido, aclamado pelas pessoas, assim como o regime o utiliza como símbolo do "orgulho nacional". Höfgen tem a glória desejada, mas está cego pelas luzes de algo que está acima de suas forças.

Mas afinal, o que mais ele pode oferecer, se é apenas um ator?

Essa é a grande questão que Höfgen faz a si mesmo, antes que apareçam os créditos finais. Mephisto é um grande filme, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1981, com atuação destacada de Klaus Maria Brandauer (Hendrick Höfgen).

Não creio que seja o tipo de filme que se encontra em qualquer locadora, mas comprei o DVD por um preço risível numa loja de uma grande rede de supermercados. Então, a quem interessar, não deve ser muito difícil adquiri-lo. Muitos sites o têm disponível para venda, também.

Abaixo, um clipezinho do filme:

Mephisto (1981)

Em breve, voltarei com mais a dizer. Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA - ELVIS COSTELLO & ALLEN TOUSSAINT - Six-Fingered Man > ANTONY & THE JOHNSONS - The Lake > MICHAEL BUBLÉ - You Must Have Been a Beatiful Baby.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O impiedoso mundo


Diálogo pela manhã:

- Alessandro, sabe quem morreu?

- Não, mãe. Quem?, perguntei como se alguém importante tivesse morrido.

- O Beto Carrero.

- Humm...

Tem de estar escrito na lápide dele:

EU TORTURAVA ANIMAIS E FIZ FORTUNA COM ISSO.

É, para esse tipo de animal não sei se sobra piedade. Eis alguns links para que vocês pensem sobre a questão:

Animais de circo

Crueldades com animais de circo
Animais do circo Beto Carrero podem estar sofrendo maus tratos
leiam a matéria!


Sem mais palavras... beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: RAUL SEIXAS - Para Nóia.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Processos

Shiva, a divindade indiana da destruição, mas que também implica
transformação. Aqui aparece em sua representação conhecida como Nataraja.

Porque as mudanças estão em curso. Ainda que não sejam exatamente como eu pretendia. Mas elas vêm. E aceito. Porque é preciso. Porque quero.

Antigos processos dão lugar a novos, lentamente, mas já bem visíveis.

Enquanto aguardo o futuro, construo o presente. Espero simplesmente não me atropelar.

Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: NAÇÃO ZUMBI - Nascedouro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Gan Eden

O painel lateral que representa o paraíso no tríptico
O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch.


Um textinho atemporal para viajantes apressados e/ou entediados. Porque pode doer, mas há sentido na dor, assim como há sentido no deleite. Mas não é preciso buscar explicações para tudo, basta vivê-lo. Explicar é para escritores. Bom, é isso aqui:

Gan Eden

Paraíso é quando você percebe que, apesar da desarmonia do mundo, há um pequeno canto, em qualquer lugar, feio ou bonito, e sente estar em harmonia com tudo ao redor. Pode estar só. Às vezes acontece. Muitas vezes, desse jeito mesmo.

É quando você está com os amigos e eles te fazem bem. Uma piada, por mais sem graça que pareça, um beijo quase infantil na bochecha na pista de dança, um prêmio porque você foi doce e fez algum comentário bacana sobre qualquer coisa que, horas depois, nem lembra mais o que havia sido.

Quando você olha e deseja. E você sabe que também é alvo daquele par de olhos. Ainda que seja por poucas horas, mesmo minutos. E então você, que cadastra as belezas dos pequenos sinais, torna o momento eternidade na sua galeria de memórias que nunca serão perdidas. E o momento vai estar lá, a ser tocado pela última vez na hora final.


Você ouve uma música e sabe sem querer saber que está dançando, só, loucamente no quarto, na frente do micro quando você checa os e-mails e apaga os spams. Ou sai do cinema depois de um filme leve e muito bom.

Sente o gosto e o aroma do prato à sua frente e sabe, não vai durar pra sempre. Mas é bom que dure o tempo certo. Sem pressa, mas também sem deixar o prato esfriar.


O vento no rosto enquanto a viagem existe. E chegar. A qualquer destino que você possa dizer: “Era isso mesmo que eu queria!”

Sensação.

Orgasmo. Nem precisa ser sexual. Também.

Mas tudo.

Esvai.

Nenhum paraíso é pra ficar. A gente sempre retorna. Cada Adão e Eva dentro de nós prova a maçã. Expulsão é parte do ritual. Outro dia parte para a terra prometida.

Que bom! A gente sempre busca!

Aos curiosos o suficiente, Gan Eden é Jardim do Eden, em hebraico. O trecho "Nenhum paraíso é pra ficar. A gente sempre retorna." é baseado em algo que tinha dito pouco tempo antes a um camarada e ele, meio sem saber, acabou colaborando.

É. Tudo explicadinho ou nada explicado. Espero que gostem, desgostem, opinem, vivam e busquem. Beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: JUAN STEWART - Angel > INDOCHINE - Peter Pan > ELVIS COSTELLO & ALLEN TOUSSAINT - Wonder Woman > NAÇÃO ZUMBI - Memorando > ANTONY & THE JOHNSONS - My Lady Story.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Marion ou Julie?

Bom, diferente de outros anos, a minha atenção, durante o Oscar, se é que realmente haverá cerimônia (o que é irrelevante, na verdade - importam-me alguns resultados), não será para a premiação de melhor filme, melhor diretor ou melhor filme estrangeiro.

Desta vez, a pergunta que se forma em minha mente é: "Marion ou Julie?"

Já devo ter falado aqui da atuação exuberante de Julie Christie em Longe Dela, drama sobre mal de Alzheimer que marca a estréia de Sarah Polley na direção. Mas ontem, depois de meses de enrolação, fui ver Piaf - Um Hino ao Amor. E, diabos, não é que a até então desconhecida (a mim) Marion Cotillard colocou essa minhoca na minha cabeça?

Afinal, ela foi uma Piaf sensacional. Uma atuação de excelência! Vale também valorizar o trabalho de maquiagem, porque a Piaf velha e acabada pela doença ficou irretocável.

Ah, vai ser difícil pra quem escolhe, mas sim, eles que descasquem esse abacaxi. Eu voto nas duas!

Beijos e abraços, povo!

NA MINHA VITROLA: TIAMAT - Do You Dream of Me?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Sendo

Então no meio da madrugada, um pouco antes de dormir, imagens sobre tudo que pude e poderia ser vêm à mente. Paro a arrumação da cama e venho para cá. Não seria melhor deixar as idéias abandonadas na noite levemente fria e permitir que escapassem pela janela ainda aberta. O resultado é este, talvez um pouco pretensioso, um pouco bobo, não sei... vocês dirão melhor que eu, quem sabe?

Sendo

já fui o ladrão a galope de seu deserto

já fui o grito na rua
o desespero de não saber pra onde ir
e a solução encontrada no último gole do copo

já fui a distorção da guitarra que já não toca

já fui o oásis que se desfaz à sua frente
a dor de ninguém

e também a risada presa na garganta

já fui o coro das igrejas
a mão que segurou a sua quando temia andar
já fui os olhos que guiavam
e a noite que teimava em prosseguir sendo


já fui sonho e acordei realidade fútil
o tempo perdido nos faróis de uma metrópole
o papo sem moreira nem bezerra
e já fui silva e de paula e alessandro

e permaneço de alguma forma

na vida de quem quer:
um vagabundo, um joão bobo,

um falsário, sedutor virgem do vazio

carrego em mim algumas verdades

todas as ficções e contradições
as bugigangas incompreensíveis do inconsciente

algum ódio, muito amor e um tanto mais de... teimosia

o que mais posso ser? e o que mais posso ter?

É, isto é tudo por esta noite. Beijos e abraços, meu povo!

NA MINHA VITROLA: ELVIS COSTELLO - Miracle Man > No Dancing > Blame It on Cain.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Das vaidades vadias

A poesia possível, a melhor possível. A única possível.
Pavo Muerto, de Goya.

Das Vaidades Vadias


o poeta está cansado
da política
da boa vizinhança
do bom-mocismo

de dizer amém
do façamos amor
do não à guerra
do tudo-em-paz

queimem os terços
desfaçam o sorriso falso
e cansado
da foto que não lhes traduz

assumam a angústia
o patético
da crise de meia-idade
dos seus 18, 30, 50 ânus

carreguem como bandeira
a solidão das convicções
abandonadas
em troca de aceitação

tudo cheira mal
perfume francês
avenidas bem-cuidadas
para o inglês ver

tragam os miseráveis
os assassinos às ruas
os viciados e as damas
mais sacanas e risonhas

vamos criar um hino
da doença entre as coxas
do fétido ar de bosta
das vaidades vadias

vamos, otimistas
vomitar aos pés
das árvores centenárias
e morrer cantando

uma canção de desconsolo
de pouco caso
de desumanidade
de medo do medo do medo do medo...

Muda o calendário. Só. Porque tudo segue igual, todos seguem iguais, como gado para o matadouro. Pensamento uniforme.

Quem pensa diferente é maçã estragada! Quem leu o Gênesis imagina.
Ou não é um dos 144 mil escolhidos. Ao caldeirão fervente! Quem leu o Apocalipse sabe!

Estes estão fadados ao escárnio, ao rótulo de loucura. Sinto que sou um destes. Não vai mudar. Não espero medalhas, mas sei das risadas de cinismo que finjo não perceber. É um desabafo. No entanto, não troco o que sou por outra "coisa".

Beijos e abraços, a quem é de beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: RADIOHEAD - Last Flowers to the Hospital > LOU REED - Caroline Says II > ELLIOTT SMITH - Trouble.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

2007 foi... - Parte 5 - Música > Lançamentos

Tarde de terça. Estou aqui, lidando com minhas limitações. Porque uma alma pode não ter limites, mas um corpo tem. E algumas das coisas que pretendia mudar neste ano serão mudadas.

À força!

Saúde urge! Até onde sei, não sou um masoquista pra passar noites em claro por causa de dores. Ao menos fossem outras dores, as de um poeta (estas também tenho, mas não me impedem de dormir - eu que gosto tanto do verbo)... mas não.

Então, tudo bem, farei o que é necessário e até foi bom que tenha acontecido e eu não engavete mais o plano de uma reeducação alimentar. Folhas e frutas, folhas e frutas para mim.

Aquela pizza? Esquece! Quem sabe, daqui a uns meses, possa voltar a tomar uma cervejinha em algum boteco com alguns de vocês? Mas socialmente, apenas. É. Será.

Entre cápsulas ingeridas religiosamente de 6 em 6 horas, ouço música, em 2007 houve variedade de boas e ruins. Vou falar dos bons lançamentos do ano, então:

Parte 5
Música > Lançamentos

Arcade Fire Neon Bible
Religiosidade interior, sensação de peças fora do lugar, lugares onde ninguém vai mas que estão ao alcance, maus presságios e um mundo que cada vez faz menos sentido. Poucos traduzem estes dias em música como os canadenses do Arcade Fire.





Black Rebel Motorcycle Club Baby 81
Visceral como Jesus and Mary Chain em seus melhores dias. A alma do rock foi resgatada aqui. Não é preciso dizer muito sobre o disco, mas ouvi-lo é essencial.

Interpol Our Love to Admire
A banda de NY cada vez mais madura, cada vez mais Joy Division trazido para estes dias, com uma sonoridade muito plena. Cansar de ouvir? Quem sabe em 2020?

Radiohead In Rainbows
As mesmas esquisitices, as mesmas introspecções, as mesmas explosões. E como é bom sabê-los mais independentes que nunca do mercado. Dá vontade de cortar os pulsos, mas você não corta porque quer ouvir mais.

Robert Wyatt Comicopera
Este é daqueles artistas que atravessam o tempo com classe. Comicopera tem de tudo: experimental até a última nota, jazz, música latina e belas e estranhas canções. Sem enjoar.

Thanos Mikroytsikos & Rita Antwnopoyloy Gia Fwnh Kai Orxhstra
Thanos é um maestro consagrado em sua terra, a velha Grécia. Rita é uma cantora que acompanha as instrumentações e o faz de modo belo, quase inacessível de imaginar, tanto quanto pronunciar seus nomes.

Vanguart Idem
Folk rock de Cuiabá, Mato Grosso. Já caíram nas graças da mídia independente e não foi à toa. Fico no aguardo de mais novidades, porque esses caras têm boa música pra mostrar.






Vive la Fête Jour de Chance
É música pra dançar. Das melhores. O duo belga não perdeu o jeito da coisa e nos presenteou mais uma vez com um trabalho vibrante - o que não é novidade.


E assim fecho 2007 aqui, com uma semana de atraso. Ou não. O tempo aqui não precisa ser igual ao do mundo lá fora, definitivamente.

Muita música pra vocês, também muita saúde, dinheiro, amor e desafios! Há que ter isto tudo pra se sentir vivo em 2008. Ou o que vocês preferirem. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: ROBERT WYATT - A Beautiful War > Out of the Blue > Del Mondo > Canción de Julieta > Pastafari.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007 foi... - Parte 4 - Música > Shows

Um pouco devagar. Vontade e necessidade de mudar, mas um pouco devagar. Nada deve ser forçado e acontecer de uma hora pra outra. Mas hoje darei um passo. Sim, é isso. As mudanças não ficarão na idéia, nas quase-promessas de virada do ano.

Antes do passo, mais um capítulo da retrospectiva, antes que estejamos em dezembro de 2008 e já não faça sentido uma retrospectiva de 2007. Hoje é dia de falar em...

Parte 4
Música > Shows

Nos grandes, fiquei devendo presença, mas também não é toda hora que um está disposto a pagar altos preços por uma apresentação e não ter a garantia de que vai ser um momento inesquecível. Os pequenos foram poucos também, mas bons. Destacarei dois que, coincidentemente, vi no auditório do Sesc Vila Mariana. Ei-los:


De cima pra baixo, o gaitista Jefferson Gonçalves no palco com Norton Buffallo; o guitarrista Big Gilson; a banda Blues Power Trio, formada por ex-membros da Big Alambik e da Baseado em Blues.

Agosto, mês de desgosto. Na verdade, nem um pouco. Foi o mês em que blues correu mais forte nas veias deste aqui, então não foi difícil gostar da apresentação de Jefferson Gonçalves e Big Gilson, que contou com representantes de bandas essenciais do blues feito no Rio: Big Alambik e Baseado em Blues. E os rapazes mandaram bem, muito bem.

Mais recentemente, mês passado, estive novamente ali, desta vez para as apresentações de grupos da nova música indie argentina. Destaco o show de Guillermo Alonso, que responde pelo Coiffeur, um projeto folk indie cuja sonoridade lembra muito, em vários momentos, a do falecido músico americano Elliott Smith. Se as músicas não saiam da cabeça antes do show, depois é que elas grudaram de vez aqui.

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Bom, pessoal, agora sigo em frente, porque há muito a fazer. Há um pouco a falar ainda sobre 2007, mas haverá muito, mas muito para dizer sobre 2008. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: BLUES POWER TRIO - Até o Fim da Estrada > Harlem Shuffle > Shaped by an Angel > Pedra Rara > Amor.

domingo, 30 de dezembro de 2007

2007 foi... - Parte 3: Cinema

Tarde um tanto vazia. Assim costumam ser os domingos, se me falta gente ao redor. Mas não é tão assim: mamãe e titia assistem TV e comentam as celebridades do dia. Lá fora há algum sol, mas não me animo a sair, definitivamente. Amanhã sairei como se tivesse saído durante os dois dias. Haverá o que fazer. Aqui, há assunto. E o de hoje é...

Parte 3
Cinema

2007 foi... rico. Foi o primeiro ano em que vi uma boa quantidade de filmes na Mostra Internacional de São Paulo e tive um panorama muito interessante do que se tem produzido em várias partes do mundo. Espero poder fazer isto nos anos seguintes.

Também conheci um pouco mais da obra de nomes lendários como Buñuel, Fassbinder, Herzog e outros mais. Em 2008 haverá um maior aprofundamento meu na história do cinema.

Foi também o ano de uma "invasão francesa" às salas de cinema brasileiras. Filmes como o badalado Paris Te Amo, Piaf - Um Hino ao Amor, Medos Privados em Lugares Públicos, entre outros tiveram seu espaço garantido. E, vergonha minha... tanto se fala de Piaf e ainda não o vi. O mesmo não se pode dizer do cinema italiano. Pergunto-me, então, se o cinema daquele país ainda é relevante.

Os filmes que vou destacar aqui são, na verdade, produções recentes que estiveram em cartaz durante o ano nas boas salas de cinema ou, ao menos, estiveram disponíveis na rede e não são, todos, necessariamente de 2007. São estes:








4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

Cristian Mungiu - Romênia - 2007

Parte de um projeto que propõe revisitar o período comunista na Romênia, este filme, tão ótimo quanto claustrofóbico, mostra os apuros de duas amigas em função de um aborto. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e aplausos em muitas das salas onde foi exibido mundo afora.








O Cheiro do Ralo
Heitor Dahlia - Brasil - 2007

Lourenço é dono de uma loja que compra objetos usados e não vê nas pessoas outra coisa, a não ser a oportunidade de humilhá-las ao máximo. Mas seu mundo começa a ruir quando se apaixona por uma bunda. É o segundo filme nascido da parceria do diretor com o autor de HQs Lourenço Mutarelli. Atuação irretocável de Selton Mello, o melhor ator brasileiro de sua geração.








Crimes de Autor
Claude Lelouch - França - 2007

Intrincada e interessante trama que envolve uma "escritora" de sucesso, seu ghost writer, uma mulher emocionalmente frustrada e suspeitas de assassinatos. O diretor, um dos cultuados nomes da Nouvelle Vague, caprichou e Fanny Ardant está deslumbrante nesta película repleta de suspense.








O Inferno

Danis Tanovic - França/Itália/Bélgica/Japão - 2005
Três irmãs, um trauma de infância em comum e as diferentes conseqüências que este acarreta nas vidas delas. O não saber lidar com o passado é o verdadeiro inferno deste filme que, na verdade, é parte de uma trilogia sobre a Divina Comédia, de Dante Alighieri, idealizada por Krzysztof Kieslowski.








Longe Dela

Sarah Polley - Canadá - 2007
A estréia na direção da atriz-fetiche dos filmes de Isabel Coixet (Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras) é um sensível drama sobre mal de Alzheimer, em que um casal deve se separar em função da doença que tem a protagonista, vivida por Julie Christie. No asilo em que se interna (sim, ela é quem decide se internar), acaba conhecendo um paciente com quem acaba tendo muitos cuidados e o marido já não sabe se é importante na vida dela. Ainda assim, será capaz de grandes sacrifícios.








Meu Melhor Amigo

Patrice Leconte - França - 2006

O veterano diretor acerta a mão nesta leve comédia sobre amizade, em que o antipático antiquário interpretado por Daniel Auteuil (brilhantemente, pra variar) precisa apresentar seu melhor amigo em 10 dias para ganhar uma aposta.







Sonhando Acordado
Michel Gondry - França/Itália - 2006
Stéphane conhece Stephanie e se apaixona. Belo pretexto para os delírios visuais de Gondry, responsável por alguns dos melhores clipes de Björk e outros grandes do cenário pop alternativo, além de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Gael García Bernal, o queridinho latino do momento, e a feia charmosa Charlotte Gainsbourg ajudam a garantir a diversão.








A Vida dos Outros

Florian Henckel von Donnersmarck - Alemanha - 2006
Mais uma vez, uma produção que aborda o período comunista e os abusos relacionados. Desta vez, o palco é a Alemanha Oriental e o mote é espionagem. Um casal de artistas - ele, autor de teatro leal ao regime; ela, atriz que desperta o interesse carnal do ministro da cultura - é espionado em função do tal interesse. O espião designado para a tarefa se vê contagiado pelo estilo de vida do casal e passa a protegê-los. Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e - diga-se de passagem -, prêmio mais que merecido, a despeito de ser tratar de trabalho de um diretor estreante.

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É isso, amigos! Nos próximos dias voltarei com algo mais. Das próximas vezes, será sobre música - os shows e os trabalhos que foram lançados no decorrer do ano que termina amanhã. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: LOS PORONGAS - O Escudo > MOMBOJÓ - Pára-Quedas > JUAN STEWART - Angel > YO LA TENGO - My Little Corner of the World > CARIBOU - Irene.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

2007 foi... - Parte 2: Teatro

Ainda manhã, quarta-feira após Natal, entre a primeira versão de London London com mp3 danificado, que faz aquele barulhinho, e Stuck Inside the Mobile with the Memphis Blues Again - Dylan, sempre -, o Natal me deixa um pouco pra baixo, ainda bem que passa. Prefiro o Ano Novo. A barba dá coceira, mas não me animei a fazê-la. Prefiro o Ano Novo. Ali, a barba feita e a nova velha cara de sempre. Eu te conheço bem, cara estranho... eu te conheço bem.

Mãezinha (nós que nascemos pra o confronto), poderia ser o fim, né? Mas com todas as angústias e alegrias, eu não escolheria outra vida, se estivesse ali. Se estivesse ali.

Falei muito de música já, mas a palavra de hoje é outra. Então vamos lá, que hoje vou dizer a tal:

Teatro.
Quando se é outro e ainda assim, no palco, um se revela.

Parte 2
Teatro

2007 foi... farto! Vi peças boas, medianas, outras péssimas. Um tanto de Satyros, mas não sei, aquilo pode ter entrado em voga, mas me soa tão igual, sempre o choque pelo choque. Estou ficando velho.

Meu gosto de mais novo velho, talvez, acabou por eleger outro trabalho. Foi fácil - vi a peça deles em três momentos, em espaços diferentes. E sempre é fácil e suspeito eleger trabalhos de amigos. Mas é de verdade, por merecimento. É isso:

Os Náufragos da Rua Constança
Cia. Antropofágica Abaporu


Agora eles têm uma casa, um lugar para uma noite de delírios nascidos de filmes de Buñuel, na rua Turiaçu, 481, Perdizes. Quem quiser e puder, vá. Mas agora só depois do Carnaval, que eles merecem folga. Quem quiser e não puder, visite o site. Quem não quiser, de qualquer forma... perde!

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É isso, amigos! Volto em breve pra mais, claro, com Memphis Blues, Sgt. Peppers, los buenos borrachos ou o que for! Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: CAETANO VELOSO - London London > BOB DYLAN - Stuck Inside the Mobile with the Memphis Blues Again > From a Buick 6 > JOAQUÍN SABINA & FITO PÁEZ - Enemigos Íntimos > AMELIA - Corriendo en Espiral.

sábado, 22 de dezembro de 2007

2007 foi... - Introdução e Parte 1: Literatura


2007 terminando logo. Não foi o ano mais feliz da minha vida, tampouco o mais infeliz. Houve muita coisa boa também. É o que pretendo dividir com vocês nesta retrospectiva que inicio aqui.

Introdução

2007 Foi...

Uma frustração: a viagem que eu faria, não farei mais.
Um ano com menos viagens, em relação ao ano anterior.

Deixarei de ver amigos importantes.
Verei outros.
Àqueles a quem devo visitas, prometo: irei fazê-las o mais breve possível.


Saí do meu emprego.
O que não foi de todo ruim, mas me limita em algumas que$tõe$.

Em compensação, freelas interessantes: no início do ano trabalhei com clientes díspares como uma igreja evangélica e uma revista pornô.
Foi por pouco tempo. Não deu pra fazer confusão.

O ano em que tentei parar de fumar, sem sucesso.
E estes são os dias em que volto a pensar no assunto.
O ano em que bebi demais.
E estes são os dias em que penso que é hora de maneirar. Consigo? Justamente nestes dias? Talvez... eu sou um pouco do contra.

Não editei o novo livro, mas um passo foi dado: o registro.
Passei tempo demais ponderando os porquês.


Ganhei pequenas responsabilidades.
E acho até que vou indo bem como moderador da maior comunidade sobre cinema europeu no Orkut.
Mas não sei se chega a ser algo de que eu possa me orgulhar.


Meu time não foi campeão de nada.
E ainda fez feio na reta final do campeonato.

Fiz amigos.
E esta foi a melhor coisa.


Parte 1
Literatura


2007 foi... renovador.

Mas antes de citar qualquer autor, quero dizer que não li muita coisa no formato livro. Algumas revistas, sim; coisas de internet... enfim, não é novidade: o formato tradicional dá espaço a novas mídias, cada vez mais.

Wislawa Szymborska no escritório da revista Zycie Literackie (Vida Literária), em janeiro de 1961.
A grande descoberta do ano, pra mim, foi a poeta polonesa Wislawa Szymborska, que teve destaque na edição de maio da revista piauí. Com seu espanto perante as pequenas coisas da vida e os fatos históricos, ela me ganhou. Aqui algumas poesias da ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, publicadas na revista e traduzidas por Sylvio Fraga Neto e Danuta Haczynska da Nóbrega. Ele, a partir da tradução inglesa e ela, do original polonês.

Fotografia do 11 de Setembro
Pularam dos andares em chamas -
um, dois, alguns outros,
acima, abaixo.
A fotografia os manteve em vida,
e agora os preserva
acima da terra rumo à terra.
Ainda estão completos,
cada um com o seu próprio rosto
e sangue bem guardado.
Há tempo suficiente
para cabelos voarem,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.
Permanecem nos domínio do ar,
na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
Só posso fazer duas coisas por eles -
descrever este vôo
e não acrescentar o último verso.

As Três Palavras Mais Estranhas
Quando eu falo a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu falo a palavra Silêncio,
eu o destruo.
Quando eu falo a palavra Nada,
crio algo que nenhum não-ser comporta.

Bem Cedo
Ainda durmo,
mas enquanto isso as coisas acontecem.
A janela embranquece,
a escuridão se acinzenta,
o quarto emerge de um espaço indefinido,
listas pálidas e instáveis buscam apoio.
Na fila, sem pressa,
pois isso é uma cerimônia,
amanhecem as superfícies do teto e das paredes,
as formas se destacam
umas das outras,
as da esquerda das da direita.
As distâncias entre os objetos vibram,
as primeiras luzes cintilam
no copo, na maçaneta.
As coisas deixam de ser impressões, já existem,
como o que ontem foi deslocado,
o que caiu no chão
e o que está contido nas molduras.
Apenas os detalhes continuam invisíveis.
Mas atenção, atenção, atenção
tudo indica que as cores estão retornando
e mesmo a mínima coisa recebe de volta sua matiz,
acompanhada de uma ponta de sombra.
Raramente isso me surpreende, mas deveria.
Normalmente eu acordo, testemunha atrasada,
o milagre finalizado,
o dia definido
e a aurora magistralmente transformada em manhã.

__________

Bom, pessoal, nos próximos dias deverei retornar com outros destaques. Espero que tenham desfrutado da poesia da Szymborska. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: AIMEE MANN - Clean Up for Christmas > AU REVOIR SIMONE - And Sleep al Mar > CAETANO VELOSO - Vampiro > COIFFEUR - Como Decirlo... Yo También > BADLY DRAWN BOY - You Were Right.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Em breve...

Em breve, muito em breve. Expectativas boas. Um sorriso (s)urge.

Mais beijos e abraços, pessoal!

NA MINHA VITROLA: RADIOHEAD - House of Cards.

"O livro" e outros textos, meus e não-meus

Humm... antes isso que a insônia... será?


O Livro

É nisto que o homem pensa, deitado em sua cama, virando as páginas do livro que não lê: a dinâmica dos dias, tudo sempre tão perto, tão longe.

Tudo tão rápido.

Aproximação e afastamento. O desejo daquela mão acariciando os cabelos, mas que não há mais no próximo momento. Ou há. Ou não se admite isto. O que acontece com estas pessoas?

Assim, há de passar desejo após desejo, cada vez menos intensos, cada vez menos belos. Porque há algo de belo em pessoas apaixonadas, assim como há algo de belo em pessoas tristes.

Tenebroso, este mundo. Cinza demais para quaisquer olhos. Só a metrópole, assassinando sonhos. Só a metrópole.

Só, o homem não percebe, mas já dorme. E com um movimento involuntário de mão, fecha o caderno em que escreverá seu próximo livro.

Bom, a verdade é que acordei cedo demais para o meu padrão recente. Não que eu devesse reclamar. A maioria das pessoas... bem, o comentário é dispensável e tudo que quero é ficar de bem com o dia.

Mas já que falei em insônia lááááá no comecinho do post, encontrei pela manhã essa breve lucubração do Sr. Ramón Alcântara:

Insônia Existencial

não dormi
e não acordei
de olhos abertos
meu pesadelo só eu sei

Então senti-me inclinado a respondê-lo e aconteceu isto:

acordar de um pesadelo a cada manhã
acordar para um pesadelo a cada...
acordar num pesadelo e ainda

ter poesia

quem me dera simplesmente bastasse!

Querem saber? Vou fazer meu dia ser bom. Façam o mesmo! Beijos e abraços, amigos!

NA MINHA VITROLA: RADIOHEAD - Reckoner.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Faces de uma Argentina musical

O coletivo Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución traz a Sampa duas das faces de uma Argentina contemporânea e musical. As apresentações serão no Sesc Vila Mariana, nos dias 13 e 14 de dezembro.


Coiffeur e Modular trazem folk e indiepop vintage a São Paulo
Música independente argentina tem destaque em mostra promovida pelo Sesc Vila Mariana

Recentemente incluídos na coletâneia Porque Este Océano Es el Tuyo, Es el Mío (Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución/Midsummer Madness, 2007), Coiffeur e Modular estarão no ciclo Além Tango, promovido pelo Sesc Vila Mariana entre 11 e 14 de dezembro de 2007.

Guillermo Alonso, o Coiffeur, mostrará o folk-punk de No Es (Estamos Felices, 2006), um dos melhores discos da nova geração da canción argentina, segundo a Rolling Stone local. Heranças de personagens como os irmãos Parra e Caetano acomodam-se, num castelhano marcado, ao lado da escola folk contemporânea de Elliott Smith e José González. Em São Paulo, estará acompanhado de Juan Stewart e Mariano Esain.

Mariana Badaracco e Pablo Dahy formaram o Modular em meados de 2000, no boêmio bairro de San Telmo, em Buenos Aires. A dupla, que tem três álbuns lançados,
La Fecundidad del Cosmos (2003), Viaje por el Planeta del Pasto (2004) e El Triángulo de las Bermudas (2005), retoma elementos da chanson française, da bossa nova e da eletrônica vintage em temas para fãs de Stereolab, Club 8 e Mutantes.

Discos de novos artistas latino-americanos estarão à venda nos dias das apresentações.


Serviço

Coiffeur
myspace.com/noescoiffeur
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=77621&mode=0
http://www.coiffeurclub.com.ar
13 de dezembro de 2007, às 20h30
Auditório do Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141)
R$ 12, R$ 6 e R$ 3.

Modular
myspace.com/modulantes
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=77625&mode=0
http://www.modular.com.ar
14 de dezembro de 2007, às 20h30
Auditório do Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141)
R$ 12, R$ 6 e R$ 3.


Para quem quer saber o que há de novo na produção musical latina e alternativa, imperdível! Para quem quer saber de música boa, independente de qualquer rótulo, também!

Beijos e abraços, povo!

NA MINHA VITROLA: COIFFEUR - Que Mala Suerte! > MODULAR - Cinemascope.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

República do vazio lírico

É, pessoal... independente de qualquer governo, não consigo ver o país de um jeito melhor. Infelizmente, não consigo.


República do Vazio Lírico

votam impostos

e as crianças têm de sair às ruas
vendem doces e salgados para poder comer
o pai não trabalha mais

o homem de terno e gravata tão empreendedor, tão orgulho-da-mamãe, não vê
nem mesmo eu (me) vejo, às vezes

há distribuição de presentes no morro
mais uns a distribuir balas em algum lugar

em qualquer lugar

ninguém com alma e
com tempo
para sentir a vida e
saber que pode ser diferente


carnaval, novela, futebol...
o transporte lotado, o sol na cabeça...
o sorriso sem dentes no eme-esse-ene
o breve flerte no barzinho
vão sortear a mega-sena
temo que meu amigo ganhe e acabe assassinado
pela esposa


lugares comuns...

lugar comum, minha queixa também
a poesia (contida aqui?) não vai mudar o mundo

e, pelo meu, já fez o que pôde
mas no final, nada sobra

talvez as palavras perdidas em folhas amarelas
ou lugares que ninguém visita

um limiar nos alcança
a barreira do suportável já é bem clara


quem enxerga?

a terra será vermelha mais uma vez
e ninguém poderá chorar
porque o que poderia ter sido feito
não foi

este é o nosso lugar
de belezas descomunais

de todas as cores do arco-íris

esta é a nossa bandeira
a ser hasteada a meio-pau

esta é a nossa república do vazio lírico


Beijos e abraços, povo!

NA MINHA VITROLA: BOB DYLAN - Rainy Day Woman # 12 & 35 > INDOCHINE - D'ici Mon Amour > MOMBOJÓ - Singular > THE BEATLES - Your Mother Should Know > Misery.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A vida secreta das trilhas sonoras

Fim de novembro, uma dessas noites sem sono, estou na minha cama, a do quarto de vídeo, e coloco o disquinho no aparelho, que está com algum problema, por isso vejo o filme em preto e branco, o que pode ser um ultraje para alguns. Mas vejo ainda assim. O filme é A Vida Secreta das Palavras, da catalã Isabel Coixet.

Vejo e ouço. O que não sabia é eu ouviria aquela canção, Hope There's Someone, de Antony and the Johnsons, embalando a solidão de Sarah Polley, Tim Robbins e dos outros trabalhadores daquela plataforma de petróleo. E é linda, linda para aquele momento do filme, para o meu momento também. Então me vejo nestes últimos dias devorando como nunca devorara antes I'm a Bird Now, de 2005, o CD que contém a musiquinha em questão.

O mais recente registro que ouvi de Antony, que não é Johnson, mas Hegarty, é sua participação no novo da Björk, Volta, em que fazem dueto em duas canções: The Dull Flame of Desire e My Juvenile. Duetos não são novidades para ela. Por exemplo, há a inesquecível cena da linha de trem em Dançando no Escuro, filme de Lars von Trier, embalada pela bela-e-triste I've Seen It All. Thom Yorke, do Radiohead, foi o parceiro de Björk nesta ocasião.

Outro filme do polêmico diretor dinamarquês faz-nos voltar à categoria "filmes sobre pessoas que se acidentam em plataformas de petróleo". Este, mais antigo, de 96. É Ondas do Destino, marcado por belas canções dos anos 60/70, boa parte delas marcando cada "capítulo" do drama protagonizado por Emily Watson. Só do Elton John, há Love Lies Bleeding, Your Song e Goodbye Yellow Brick Road; há também Deep Purple, com Child in time; Jethro Tull, com Cross-Eyed Mary; Procol Harum, com A Whiter Shade of Pale; Leonard Cohen, com Suzanne... como se o filme por si só já não fosse bom o suficiente!

Também o filme "sobre morrer" de Denys Arcand, As Invasões Bárbaras, tem na trilha sonora um quê de vintage, e ali há L'Amitie, de Françoise Hardy, embalando a "morte do mundo" que é refletida num episódio sobre a decadência e conseqüente morte de um homem de meia-idade, personagem de um filme anterior do mesmo diretor, O Declínio do Império Americano.

Já em Vanilla Sky, de Cameron Crowe (refilmagem do espanhol Abre los Ojos), outro filme em que a morte tem grande relevância, somos premiados com Svefn-G-Englar, dos islandeses compatriotas de Björk, do Sigur Rós. Toda uma vida e todas as ilusões desta mesma vida rememoradas no momento do grande "atirar-se no vazio".

Se a mim parece que Penélope Cruz está horrenda no papel de interesse amoroso de Tom Cruise em Vanilla Sky (ela não me convence atuando em inglês...), em Volver, do laureado Pedro Almodóvar, está maravilhosa. Nesta celebração à vida e às mulheres fortes, Penélope está tão perfeita que aos incautos é capaz de passar despercebido que não é ela quem canta aquela pérola do cancioneiro latino, Volver (a música), mas sim a espanhola Estrella Morente.

Por sinal, Pedro e seu irmão Agustín, co-produziram A Vida Secreta das Palavras, assim como outro filme de Coixet, Minha Vida sem Mim. Volvimos al principio de todo. Hora de fechar. Temo ter embaralhado um tanto as suas cabeças, amigos. Mas também espero que tenham gostado deste embaralhamento de clipes, trailers e todas essas elações entre músicas e filmes. As possibilidades são infinitas e ainda me vieram outras músicas, outros filmes à cabeça. Por ora, o que temos aqui é o suficiente. E, claro, logo estarei pronto pra mais, seja o que for este mais.

Beijos e abraços!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ele sonhava

Um breve conto com sabor de poesia, ou uma breve poesia com cara de prosa. De guitarras imaginárias.


Ele Sonhava

Pegou sua guitarra e fez o som de sua vida.

Pegou a guitarra e fez o som. E foi agressivo, ao modo de seus ídolos de capa de revista.

Foi o tal.

Num palco de brinquedo para um público de sonho. Lotou estádios, vendeu discos. Os outros meninos, que vieram depois, copiaram-no.

E repassavam os mp3 entre si.


Depois, era ele mesmo nas capas de revista e nos sites descolados.

O tempo passou e ele virou lenda. Mas não sabia um fá...


Ele sonhava!


Beijos e abraços, povo meu!

Baseado neste som aqui:

Megadeth - Train of Consequences


Nossa, fazia tempo que não escutava isso... eh eh eh!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

No contenido

É, pessoal... o cotidiano, este cotidiano... pra quem será?



No Contenido

temor de deixar de ser quem é
a aproximação do lugar comum
do deixar-se levar pela mão
a armadilha pronta
quando cessa a última força


a última?

não, não permitirá

há muitas cores para apenas um pacote de 100 gramas
sons demais para somente um litro
e sensações que não devem escoar pia abaixo

Logo voltarei com mais! Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA:
THANOS MIKROYTSIKOS & RITA ANTWNOPOYLOY -
Sintarta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

You know... there's something happening here, but you don't know what it is...



Olá, pessoal!

Esta música de Bob Dylan está no disco Highway 61 Revisited (1965), que marca uma virada na carreira do músico, pois ele abandona o violãozinho folk e monta uma banda de rock, algo que boa parte de seus fãs e da imprensa de então não entendeu muito bem, chamando-o de "vendido", entre diversos impropérios não-publicáveis, durante os shows e em todas as ocasiões possíveis.

Nem tanto pela mudança musical. Talvez mais porque Dylan representasse o músico popular engajado. Suas letras da fase folk tinham forte enfoque social, muitas vezes retratando as agruras do trabalhador do campo, assim como as do trabalhador dos grandes centros. Mas ele abandona tudo isto para se dedicar a questionamentos mais universais.

Com seu violão e gaita ou com sua banda de rock, Dylan foi e é grande. E esta é uma das lendas da música pop do século passado que quis hoje compartilhar com vocês. Não é a primeira vez que falo dele aqui, mas também não creio que seja demais.

Filmografia Recomendada
  • No Direction Home, documentário de Martin Scorsese.
  • I'm Not There, filme de Todd Haynes. Aqui, vários atores interpretam Dylan em vários momentos de sua vida. Entre eles estão Christian Bale, Richard Gere, Ben Whishaw, Heath Ledger, o menino negro Marcus Carl Fraklin e, pasmem, Cate Blanchett. Creio que estará em circuito comercial apenas no ano que vem, mas já fica a dica.
Beijos e abraços, amigos!

sábado, 10 de novembro de 2007

O amigo da vizinhança

Spider-Man, Spider-Man,
Does whatever a spider can
Spins a web, any size,
Catches thieves just like flies
Look out!
Here comes the Spider-Man.


É com a musiquinha do Spider-Man que inicio este post, porque fiquei besta quando minha mãe contou a história. Eu tinha quer vir aqui e postar. Não duvido que muitos de vocês tenham sabido do ocorrido, mas eis aqui o que, depois de uma pequena pesquisa, tenho a lhes mostrar:


Menino de 5 anos salva bebê em incêndio em SC

Mãe de menina de 1 ano e 10 meses não conseguiu entrar na casa para pegar a filha. Segundo bombeiros, garoto vestido de Homem-Aranha resgatou a criança, em Palmeira.




Um menino de 5 anos, vestido de Homem-Aranha, resgatou um bebê de 1 ano e 10 meses de uma casa em chamas em Palmeira, Santa Catarina, na tarde de quinta-feira (8). O soldado do Corpo de Bombeiros Giovanni da Cunha disse ao
G1 que Riquelme Wesley dos Santos brincava em um pátio em frente à casa dos vizinhos, quando o incêndio começou.

A mãe do bebê, Lucilene dos Santos, afirmou aos bombeiros que tentou entrar na casa para resgatar a filha, Andrielle, mas não conseguiu. "Ele disse que não era para eu gritar e chorar que ele iria salvar a menina", disse Lucilene.


Segundo os bombeiros, Riquelme gritou que era o Homem-Aranha, entrou correndo na casa, pegou Andrielle e conseguiu levá-la para fora antes que o berço onde estava fosse atingido pelas chamas.


"Estava saindo fumaça do quarto. Eu pulei lá dentro e peguei ela", disse Riquelme.

Questionado se era o Homem-Aranha, ele falou que era "filho do Homem-Aranha".
De acordo com Cunha, que realizou a perícia no imóvel na manhã desta sexta-feira (9), o incêndio destruiu 80% da residência e a causa provável foi um curto-circuito.

O Sargento José Macedo disse que o menino agiu por impulso. "Por ser uma criança, não tem noção do perigo e poderia ser mais uma vítima", diz. "É preciso equipamentos especiais para entrar em ambientes confinados."


O grande barato deste episódio é como o garotinho com nome de craque da seleção argentina de futebol encarnou, ainda que sem consciência disso, o heroísmo do personagem de HQs e do cinema. Claro que houve um grande perigo e alguns pais poderiam estar se lamentando agora. Fico pensando se este fato vai significar algo pro Riquelme ali na frente. Nosso pequeno herói vai se tornar um salvador de vidas? Ou vai deixar isto subir a cabeça e estragar a própria. Não sabemos. A única coisa que posso afirmar é que foi algo perigoso... e, pra quem está muito de longe, um fato curioso e engraçado.

Beijos e abraços, amigos!

Fontes: Texto - G1 > Foto - Terra

NA MINHA VITROLA: MARILLION - Kayleigh.