sábado, 15 de janeiro de 2005

Edifício dos Amores Jamais Vividos - Parte 3: Ópio

Olá, pessoal! Continuamos nossa viagem onírica? Sim! Como prometido, aí vai a conclusão:

Edifício dos Amores Jamais Vividos
Parte 3: Ópio


Tomado por inusitada coragem, pulei a janela e todo o quadro se modificou... em todo casal ou grupo havia uma que era minha cristalmusa. Eram tantos... ora ela trepando com o "médico" – o que ocorria na maioria dos casos – ora ela com uma ou outra das lesbirruivas que havia encontrado logo no início de toda esta loucura. Às vezes deitava-se com ela a mulata do quartinho; noutras, o Buda recebia suas carícias. Havia também os grupos em que todos ou quase todos estes personagens participavam. Enquanto todas as minhas musas catastróficas me olhavam lasciva e esperançosamente, olhares de ódio, xingamentos-entre-dentes eram lançados a mim por seus parceiros. Incontáveis vezes os malditos doutores cuspiram em mim, assim como perdi a conta de quantas vezes fui xingado pelas ruivas. Apenas os Budas demonstravam alguma alegria em me ver e chamavam-me a observar melhor o espetáculo. Ela sempre transfigurando-se alvinegricinza, cristalizando-se, ora menina ora velha. Em meio aos gemidos de prazer, ouvia-se um "papai, não faz isso comigo", algum "te amo, minha lesbiquinha voraz", ou ainda um "enlouqueça-me com seu corpo de tragédia". Eu teria fugido atabalhoado e enlouquecido se em determinado momento eu não tivesse encontrado a mim mesmo perdido entre toda aquela putaria. Tomei meu outro eu pela mão e saímos correndo. Eu dizia a mim mesmo: "sabia que você iria me encontrar". "Não poderia ser diferente", respondi.

Avistei a janela que dava para o recinto onde eu me entregaria à minha diva. Para mim, tudo aquilo estava enfim claro, não totalmente, pois a sensação de que esta aventura não estava por terminar simplesmente ali me trazia algum desconforto, o que turvava minha compreensão. Então aqueles eram personagens de sua vida. O "médico" devia ser um pai que abusou de sua inocência, ela deve ter tido aquelas mulheres por amantes, assim como o Buda. Eu era o tal amor que ela guardava para si, mas como eu nunca a vira antes deste dia? Eu estava perdido, e quanto mais eu tentava definir as coisas na minha cabeça, mais perdido me sentia. Precisava concretornar minhas possíveis certezas... e a janela estava ali. Nós, eu e meu outro eu, a poucos passos do pulo definitivo.
(o que fazer quando você tenta inserir espaços mas algo não obedece? gambiarra!!!)
O mundo turvou-se novamente, quando finalmente pulamos a janela... não havia mais o quarto em que minha musa florida me fizera o pedido de ajuda. Apenas mato e árvores. Ela estava deitada na relva, e quando nos aproximamos, percebi próxima de seu calcanhar uma áspide. Minha antiBeatrice já havia sido picada e fracafalava, em absoluto delírio: "meu amor, você voltou... papai, me leva para a cama." O velho estava próximo e chorava, ajoelhado frente ao quase inerte corpo. Encostada numa árvore, uma tumba egípcia se abriu, saindo dela a "Cleópatra", em convulsivo choro, dizendo "minha filhinha, finalmente vai se juntar a mim...". O homem me olhou tristemente e falou: "era tudo ópio, tudo ópio, e é minha a culpa".

Emocionado e compreendendo tudo claramente, improvisei os seguintes versos:

Tomou de mim com suas presas de ópio
O meu amor, víbora sanguinária
Recebe de mim o meu ódio
Por jamais possuir esta diva, torno-me pária
Porque tardei tanto a salvar-lhe
Quando tudo o que eu tinha era solidão?



Expirou a musaminha. Meu outro eu desaparecera. Fundira-se a mim, eu sabia, mas não mais o encontrava. Ela estava perdida, para sempre, e eu também não tinha mais como existir, eu que era apenas seu sonho, eu que seria o alívio de suas frustrações e o antídoto contra todo o veneno em sua alma. Tudo que pude fazer antes de esvair-me em nada, foi chutar a relva e emitir um último lamento de revolta.

Então abri os olhos e vi que minha mãe olhava da porta de meu quarto eu chutar a parede, sonhodespertando.
(não sejam apáticos, pessoal! opinem, amando ou odiando. mostrem que estão vivos!!!)
Bom, pessoal, espero que tenham curtido esta bizarra viagem. Mas, sobretudo, opinem! Em breve, haverá novos textos. Agora, o trem deve partir da estação. Abraços e beijos!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

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