Orquestra Imperial + Caetano Veloso + Jane Birkin = Serge Gainsbourg???
O que eu quero pra fechar bem esse ano?
É isso que eu quero. E, talvez, boa companhia.
Beijos e abraços, pessoal!
Um belo dia qualquer. Entre toneladas e toneladas de lixo de intenções, gostos e subserviência. O cinza tenta fazer com que tudo morra. Não, não eu. Não sou assim. Descubro a flor do jardim de concreto e abandono o depósito. Pra isso, há de ser esperar o momento certo. Já passou. Adeus. Levarei a flor do Lácio e alguma alma. Algo melhor? Contatos em palavratomica@gmail.com
O que eu quero pra fechar bem esse ano?
É isso que eu quero. E, talvez, boa companhia.
Beijos e abraços, pessoal!
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Alessandro
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17:38
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Poesia filha de várias histórias, velhas ou novas histórias em fragmentos. Cliquem na imagem azul com texto para lerem. Saboreiem-na sem moderação. Bom apetite, filhos!
Volto com mais daqui a pouco. Beijos e abraços, pessoal!
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Alessandro
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21:07
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Um delírio, apenas um delírio de apocalipse onde comparecem Serge Gainsbourg, Hieronymus Bosch e Julio Cortázar e sua autoestrada do sul (leiam Todos os Fogos o Fogo, ótimo livro de contos do autor argentino nascido na Bélgica de... Bosch). Apenas um delírio que se converte em algo que vocês encontram aqui, neste instante.
Ao Longe, as ChamasSelo somali com detalhes de O Inferno, parte do tríptico
O Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch.
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Alessandro
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09:59
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Produto de um sonho ruim, esta poesia. Produto de uma realidade cada vez menos real, esta poesia. Um pequeno pedaço de pesadelo que agora ofereço a vocês.
A Ordem Antinatural das Coisas
hoje tive um sonho e
era algo tão ruim...
você estava tão sem norte
e, ferida, procurava abrigo
eu, que tinha a morte na alma,
não pude oferecer
o que há com o mundo?
o que há com todos nós?
mesmo o poeta sem muletas
fica perplexo
e não para de perguntar-se
todos nós sabemos
e calamos:
há uma brutalidade sem rosto no mundo
antes poderíamos falar de
a ou b ou x
mas as letras já fazem falta
o abacaxi não tem gosto
ou todas elas estão aí
em excesso
mas não temos tempo,
não temos tempo
construir uma verdade a partir
da experiência que se vive,
seguir um rumo escolhido
parece luxo
e há a tentação do apoio fácil
segue-se, cega-se
há tanta gente oferecendo no caminho...
mas você sabe,
os mesmos que lhe darão carinho
irão jogar pedras
se algo sair errado
não param para se perguntar
mas perguntar o quê?
já não sei o que perguntar...
hoje é preciso haver medo
ou enlouquecer
de qualquer modo
estar no mundo é um ato de perversão
porque você sabe, terá de ceder a algo
ceder a algo...
e escrevem por aí sem pontuação
ou com pontuação deficiente
mas qual é mesmo
o valor da gramática, da sintaxe,
do estilo?
há mais dor no mundo do que se pode suportar
mas agora mesmo há uma mão estendida
pronta a sufocar no segundo seguinte
- sei, repetição da ideia, ainda que as palavras mudem -
mesmo quem sabe já não grita...
e quem grita tem amarras
como se sai de tal labirinto?
- não, esta poesia não tem fim, embora formalmente este seja um.
Conto com que tenham saboreado. Sem moderação. Beijos e abraços!
NA MINHA VITROLA: COIFFEUR - Dasein.
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Alessandro
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08:14
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Esta poesia surgiu após algumas leituras que vinham ao encontro de algumas impressões minhas que já tinha, inclusive, falado a algumas pessoas. Fragmentos se uniram para formar uma breve visão ainda fragmentada, esta constatação desamparada perante o mundo em que vivemos - talvez um pouco inocente, mas a qual atribuo algum valor. Leiam e concluam por si.
O Motor das Mortes da Alma
O mundo acabou.
E esqueceram de avisar-nos.
Já nem me importo.
Não.
Não é que não me importe.
É que as vezes penso que ninguém percebe. Que não se importam.
Às vezes
estou certo.
E cedo.
Ok, não é uma poesia que "resolva" algo. Não "resolve" coisa alguma. Mas quem diz que a poesia tem que "resolver" qualquer questão? Gosto de seu caráter de "inutilidade" - e tenho pensado muito nesta propriedade do texto poético. Que sejam tão belos e honestos e pueris os versos quanto "inúteis". Beijos e abraços, amigos!
NA MINHA VITROLA: RONI SIZE - Watching Windows (Ed Rush & Optical remix).
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Alessandro
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03:53
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Texto interessante-ou-nem-tanto da semana:
Crônica Abdominal
Algumas pessoas nascem pra ter barriga mesmo.
Antes de ser uma afirmação conformista, é uma constatação. Pois o mundo ficaria muito sem graça se todos aderissem àquela que chamam barriga-tanquinho.
Digo isto porque tive uma barriga grande, maior que a atual. Então fechei a boca, perdi peso. Mas parei.
De perder peso. Sem tampouco voltar a ganhar. No entanto, a barriga permanece. Maior que em alguns poucos momentos, menor que na maioria desse tempo em que tenho preenchido lugar neste mundo.
E, por falar em mundo, faltariam academias a ele. Ou haveria mais academias que igrejas. Não sei se é mais interessante o culto ao corpo ou às divindades. Mas, tanto quanto há igrejas, há um tanto mais de bares no mundo.
Algumas pessoas encontram deus nos bares. E uma barriga personaliza. Isso não é conformista. É ir contra a onda.
Parei de estar às turras com a barriga.
É isso, pessoal, mas não é só isso. Talvez eu acrescente novas ideias. Não é uma edição definitiva, assim como nada aqui no blog o é. Bom, agora vou correr, de qualquer forma. Beijos e abraços!
NA MINHA VITROLA: ANDRES CALAMARO - Sexy y Barrigón.
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Alessandro
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08:31
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Ah, não me dei conta. Digo, até que sim, mas foi quando as coisas passam pela cabeça, num momento em que não se poderia fazer. E, quando se pode, se esquece.
Pois é. Foi em outubro, no começo do terceiro terço do mês agora acabado, que este espaço completou cinco anos. Mas isso é mesmo relevante? Que o espaço exista, tão somente. E sou mesmo ruim de datas, se não me avisam.
Celebremos melhor agora, que a poesia veio espontânea.
O Tempo Mirrado
Porque andamos todos com pressa e,
na pressa, perdemos o pique.
Já não se usa poesia.
Já não se vê além do concreto.
E é por isso que gostei de Brasília,
havia concreto, mas havia mais
céu
e as cigarras acolhiam.
Eis a poesia da pocilga,
a do Pasolini, inclusive.
Consumo,
consumo-me e deixo consumirem.
Antes de sumir, antes de dormir.
Insisto em não morrer.
Entre latas vazias de cerveja
que já devia ter jogado fora
e contas que ainda não pude pagar.
Ou não quis.
Mirror, mirror... o que fez com o tempo?
Na parede, um quadro
com foto de criança
que os amigos insistem em
transformar em motivo de
esculhambação.
Eles têm razão.
Mas também não.
Porque há saudade da inocência.
Mas se quer uma vida selvagem,
venha para a cidade.
Conheça a mulher-fragmento.
Na verdade, conheço algumas
da espécie.
E não há perigo de extinção.
Feras que não devoram.
Como estas linhas,
a poesia-fragmento.
Gosto do meu ritmo,
do que faço.
Ou da falta de.
Mas é que me rendo.
Aceito.
Assino o contrato.
Nos deram espelhos...
e já vimos um mundo saudável,
porque a doença
faz parte de nós.
Mirror, mirror... o que é feito de nós?
Hoje é isso. Amanhã, que não significa o exato dia, tem mais. Beijos e abraços!
NA MINHA VITROLA: DAVID BOWIE - Joe the Lion.
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Alessandro
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10:09
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Tundra
Hoje acordei com a palavra na cabeça. Vejo a foto e imagino... se me perdesse em tal lugar.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: ELYSIAN FIELDS - Bum Raps & Love Taps.
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Alessandro
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08:56
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Umas ideias que passaram pela cabeça durante a semana. Nada muito trabalhado. Há de ser desenvolvido em nome dos melhores versos. Mas já é alguma coisa. Só precisava explodir agora. Já existe.
Sombrios flashes
Hoje é só um daqueles dias
em que um cara não quer muita coisa.
Já percorreu a cidade,
já doou seus profanos neurônios.
E não se importa mais
com o cadáver que vai se esconder
noite adentro.
Ainda que se morra com gosto.
Chega a noite
e compra cerveja
pra se divertir sozinho no quarto.
Na memória passam flashes
de uma vida comum.
De velhos personagens comuns
ou com algo a mais.
Sabe lá ele o que teriam consigo esses sujeitos...
Ele queria ter alguém com quem brindar...
a toda essa gente que
não vê mais.
O velho catador de lixos,
figura folclórica do bairro,
que se chateava quando o Santos não ganhava.
O pequeno gênio, com nome de filósofo grego,
filho de quem...?
ele não sabe mais.
Mas o velho Ari já se foi.
O jovem Ari
Já não é tão jovem assim.
Como se brinda a quem já não está?
Como se brinda a quem já está noutro lugar?
Ele também quis brindar
àquele cruzar de pernas,
da menina ideal
que só existiu nos seus sonhos.
As outras são tão complicadas...
Ainda assim,
ele se deixou levar
por outras pernas cruzadas.
Ame-o ou deixe-o de canto.
Num canto com um canto estranho
de outro louco qualquer.
E tanta gente vai passando
longe de sua vista.
Ele até prefere assim.
E gosta disso
em certos dias
quando não tem vontade de sorrir.
A velha síndica o interpela
como num romance russo.
Há tanta coisa em que pensar
e ele precisa estar só.
A música, baixa, ao fundo.
As luzes que se acendem e se apagam.
Tudo o que ouve, o que vê
da janela do quarto.
Noutro lugar jovens dançam como símios.
Noutro lugar a programação da televisão.
Noutro lugar alguém faz amor, amor.
Noutros lugares o mundo se faz.
Neste lugar, ele não é o mundo.
E está bem assim.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: ARNALDO BAPTISTA - Será que Eu Vou Virar Bolor?
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Alessandro
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22:07
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Dessas coisas que não são novidade. Mas sempre retornamos. Ou sempre querem retornar. E por isso, fazem-se canções, escrevem-se livros, criam ficções. E mesmo a alma mais imune - bem, ela não é tão imune assim - acaba cedendo. Em algum momento. Ou ri cinicamente escondendo o que há de verdade: a lacuna.
Retornemos ao velho e universal tema, sem o medo de não soar original. Que há algo que é comum a todos. E o que é comum também pode ser bonito. Espero que seja bonito.
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Alessandro
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08:43
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Sonhos dentro de sonhos, para apenas encarar a realidade. Ou fugimos, todo o tempo?
Os Fugitivos ou Quando Éramos Bonitos, Jovens e Sonhadores
Ah, quando era jovem, eu tinha sonhos. Você sabe, um sonho é um sonho. Faz o que quiser, uma vez dentro dele. Ou o Sonho faz o que quiser com você. Sim, essa é a verdade.
Particularmente, esse eu que fala tinha uma combinação com o Sonho: deixava que ele me levasse onde quisesse, desde que eu gostasse.
Meu nome era Peter Pan, só para o Sonho. E carregava comigo a impressão de que, noutro sonho, eu voava. Então era um sonho continuado, mas não era.
Aconteceu que estava de férias e deixei o nada em que habitava para ir morar numa cidade longínqua. Havia praia e as pessoas eram bonitas. Então eu havia combinado estar lá e encontrar meus amigos, o açougueiro e sua esposa que sorria e nunca dizia nada. Era sempre assim no sonho, o sorriso emudecido.
Era um início de noite em que as estrelas se estendiam pelo céu que se avistava a partir da orla. Então combinamos de ir até a casa que alugamos pra ser nossa base de bons momentos de viagem. Mas a perdemos. Ela simplesmente mudara de lugar. Como num sonho. Mas, ei, era isso, não? Então não havia remédio, senão procurar. Falei ao Açougueiro que voando seria mais fácil. Mas ele não voava. Eu sim.
Digo, pensava que sim. Porque tentei fazer o movimento, mas senti uma força no ar que me prendia. Havia perdido meu poder.
Em busca da casa e do voo, perambulamos. Chegamos a um bar, algo muito bonito, obscuro, que funcionava à luz de velas. Meu amigo ficou no balcão e eu achei curiosa uma certa saliência na parede. Ao tocá-la, o bar pareceu, de repente, uma grande coisa de pinball e as pessoas eram bonecos. Uma espécie de porteiro me pediu uma senha. Disse a palavra que me veio à cabeça: "fuga". E minha entrada foi permitida. Havia longos corredores, mas eu era como a bola do jogo. Não tinha autonomia, apenas o medo que apenas não tivesse três vidas a gastar, procurando o dom perdido.
Fui conduzido de corredor em corredor, aleatoriamente, dando de cara com artefatos curiosos e máquinas de refrigerantes. O Açougueiro, assim me explicou ou assim entendi o que ele parecia dizer, também ficara curioso, disse a senha ao porteiro, que era outra palavra pra ele, e nos encontramos num desses corredores. Havia uma bolsa estranha, de um verde brilhante, que parecia ter alguma importância a nós. Jackpot? Levamos conosco. Comigo, pra ser mais exato.
Ao final desse corredor, uma enorme estação de trem vazia. Lembrou a Gare du Nord, em Paris, que conheço de filmes. Entramos num desses trens, mas éramos mesmo os únicos ali. Uma vez o trem não subterrâneo em ambiente externo, pensei em dar um jeito de subir para a parte de fora, pegar impulso com a velocidade e finalmente, recuperar o dom do voo. Afinal, devia ser questão apenas de confiança. Como não era um tipo muito grande, dei um jeito de sair pela janela. Parecia um dos aqueles antigos surfistas ferroviários de Sampa.
Via de cima do trem, ao longe, a praia, presa ali naquela madrugada. Houve efeito poético e voei. Vi que meu amigo Açougueiro também, o que era estranho. Era um tipo muito gordo e voar não fazia o estilo dele, de modo algum. De qualquer forma, acordei ao lado dos trilhos, com sangue escorrendo de minha cabeça. O amigo se atrapalhava com os primeiros socorros, mas estava ali, auxiliado pela esposa sorridentemente muda.
Ao menos, havia o cheiro de mar.
Voar era apenas um sonho dentro de um sonho. E, em todo o tempo, apenas fugira do que realmente era. Acordei novamente, na minha cama. Um pouco mais cedo do que o horário que determinei acordar, pois havia trabalho e rotina. Corri o quanto pude pra escrever este relato um pouco atabalhoado, resumido demais.
No dia que se seguiu, aliás, como quase todos os dias, houve trens, mas não os da Gare du Nord. Não houve areia de praia, tampouco ondas ou céu estrelado. Senti-me muitas vezes controlado como a bola de pinball e sem jackpot. Também sem o dom de voar. Mas é o que todos tínhamos.
E também tínhamos o Sonho e esse acordo para a fuga. Isso nos fazia mais jovens e também bonitos. E éramos.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: ALVA NOTO + RYUICHI SAKAMOTO - Avaol > MOBY - The Stars > DAVIDE BALULA - Maan > AIR - Sexy Boy > RADIOHEAD - Fast Track.
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Alessandro
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08:38
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Como um escarro. Sem edições. Não se pode editar a brutalidade.
Estatística
Quem é você?
Quem é você, pobre coitado?
Apenas um maldito que se perdeu na noite escura?
Quem é você? Qual é seu número?
Onde você perdeu a esperança?
Quem é você que foge das contas,
da vida, do amor
e abraça o ódio?
Que perambula pelos guetos
como o animal em busca de carne.
Ferozmente devora sua presa.
Tampouco sobram ossos...
E você não vê... era seu irmão.
Quem é você que atira a esmo?
E quem é você que segue ordens?
Quem é seu patrão?
Quais foram seus sonhos, um dia?
Dá prazer arruinar os sonhos alheios?
Uma farda e todo o poder? Não!
Por quem você ladra, cão de guarda?
E você não vê... era seu irmão.
Há poder guardado atrás daquela sala.
Um poder maior que o seu,
de ver tudo o que passa pela janela
como se fossem números num relatório.
Mantém um sorriso porco,
porque pensa que nunca vai ser atingido.
Qualquer ameaça e...
a distorção das palavras,
dos fatos,
dos números.
E passa por cima.
Para você, não há irmãos.
É quando a revolta explode. Explodirá?
E você aí, acuado em seu canto,
fingindo um sorriso pra poder continuar
com suas pequenas coisas?
Mas, todo o tempo, o prosseguir é um risco.
Quem é você que lê e não vê sentido?
Ou vê e finge que não é nada.
Reagirá ou calará?
Atacará seu irmão...
Mais um vira estatística.
A foto é da ocasião dos protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. Mas a situação que está no texto caberia em qualquer lugar. Bom, sem mais palavras. Apenas beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: BRAIN ENO - Dead Finks Don't Talk > THE VELVET UNDERGROUND - I'm Waiting for the Man > THE VENUS IN FURS - Ladytron > PLACEBO - Come Undone > SONIC YOUTH - Walkin' Blue.
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Alessandro
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17:46
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Não tem outra palavra pra definir: Sonic Youth é FODA mesmo!
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Alessandro
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02:10
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Pra quem estiver em Floripa, em 11 de setembro, próxima sexta:
A segunda edição do Kommbo Express do ano e quinta desde que começou, em 2008, acontecerá paralelamente ao 2º Twestival, que será realizado em todo o mundo e também em Florianópolis, no dia 11 de setembro. O evento será promovido no Arte Chopp Chopperia e Bruschetteria, na Lagoa da Conceição. O Kommbo tem o objetivo de promover debates e encontros sobre o que há de mais novo em comunicação e mídias sociais. Já o Twestival é um evento mundial, realizado em diferentes países, que une adeptos do Twitter para, além de trocarem ideias pessoalmente, ainda auxiliarem uma entidade carente da região.
O Kommbo e Twestival Florianópolis vão acontecer em 11 de setembro como uma forma de celebrar a importância da paz, da caridade e da integração entre as pessoas, independente de suas culturas ou meios. Na data, que remete ao atentado terrorista às Torres Gêmeas, em Nova Iorque (EUA), Florianópolis reunirá profissionais da comunicação, tecnologia, blogueiros, twiteiros, orkuteiros, adeptos do Facebook, MySpace, dentre outras mídias sociais de Santa Catarina, todos com o propósito de celebrar a diversidade e ajudar a Casa de São José, instituição que auxilia crianças carentes da comunidade da Serrinha, em Florianópolis. A escolha da entidade a ser auxiliada foi dos próprios participantes, pelo twitter do festival, o @twestivalfln. O twitter do Kommbo é @kommbo.
Nesta edição, o Kommbo trará o palestrante Diego Remus, desenvolvedor consultivo de modelagem de processos para mídia social, que irá abordar o tema A Geração Y e as redes de negócios. Na ocasião, Diego falará sobre a o surgimento de novos formadores de opinião e empreendedores que a internet proporcionou, com novos padrões de comunicação, comportamento e negócios.
As inscrições custam R$ 10,00 e podem ser realizadas no site www.kommbo.com.br e pago no local e dia do evento. Na ocasião, haverá sorteio de brindes e o som ficará por conta dos DJs Paulera, John e Manu W. O site do Twestival é http://florianopolis.twestival.com. O Arte Chopp fica na Avenida Afonso Delambert Neto, 103.
Quem estiver na área não pode deixar de ir, hein? Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: BUNBURY Y VEGAS - Welcome to Callejón sin Salida.
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Alessandro
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17:19
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Tudo acontecendo agora. E este texto, aqui, também.
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Alessandro
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14:55
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Breve poesia pra iniciar a semana. Enjoy it!
Social
Isso lhe serve de tudo.
Isso lhe serve de nada.
Quão banais são os objetos que o cercam...
Como se realmente precisasse deles.
Poderia ser de outro modo.
Tudo.
Um nada.
Fizeram-lhe crer e aceitou.
Porque não podia passar sem. Não.
Não podia.
E todo sentimento que vem junto.
Como num pacote de viagem.
Com roteiro definido, locais aonde ir e parar.
Sorri.
Porque nestas ocasiões só se deve sorrir.
Ou será rotulado o Estranho.
O que não se encaixa.
Mais fácil aceitar que estabelecer o próprio roteiro.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: TINDERSTICKS - Buried Bones > CASIOTONE FOR THE PAINFULLY ALONE - Nashville Parthenon > RÖYKSOPP - Miss It So Much.
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Alessandro
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01:03
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Textinho instantâneo saindo no capricho.
Domingos
Quando era criança, adorava os domingos.
Havia algo de encantador naqueles dias, passados à frente da televisão vendo Sílvio Santos com a mãe. Afinal, era criança.
E era dia de macarronada, quase sempre.
Passou. Sílvio Santos perdeu a graça e adquiriu traços demoníacos aos seus olhos.
Agora, adulto, domingo é vazio quando seu time não joga. Apenas vai à feira. É o que salva.
Domingo é o pós-balada e a ressaca. Óculos pra proteger do sol, quando faz, pela manhã. O passo trôpego e o caminho de volta.
É o dia da não ação.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: BRIGITTE BARDOT - Harley Davidson > SUPERGRASS - Alright > KASABIAN - Vlad the Impaler > U2 - Lemon.
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19:55
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Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte 1: Estação Paraíso
Densidade.
Quando penso no espetáculo, é a primeira qualidade que me vem à mente. Sim, porque Terror e Miséria... é sobretudo densa. Porque a realidade, se você sai do mundinho de TV e de tudo que a mídia dominante impõe, é isto. E também surreal. A melhor definição que se pode ter do Brasil em duas palavras: "real" e "surreal".
E é isto que nos oferece a Cia. Antropofágica em seu novo espetáculo. Cada vez mais ácidos. E não podia ser de outro modo. Porque as relações de poder, desde o período colonial, nesta terra, sempre foram brutais. Não é exatamente o que se sabe dos livros oficiais de escola. Mas quem sabe, sabe. Ou não imagina, ainda que pense que sabe, da missa um terço. E se delicia com a desgraça. A própria desgraça - o veneno que é a realidade, tudo o que nos corrói os interiores. Deliciosamente.
Muito está ali, nunca de um modo linear: a chegada lusitana - melhor dizendo, da escória lusitana; como se deram as primeiras relações com os nativos do novo mundo - estupro mental, espiritual e físico; a figura da igreja; mitos e símbolos expostos ao escárnio; a [falsa] inclusão social; a tragédia da (des)educação; as decisões políticas; o futebol; a influência externa. Há uma alternância de "climas". Pode ser uma alegria sádica de desnudar a alma de uma nação que se construiu a partir de seus vícios. Pode ser a sombria hecatombe, a miséria de existir em tal contexto.
Num dado momento, o público é chamado a participar: como num reality show, tem de decidir quem será "salvo". Num vídeo, transeuntes são questionados sobre a liberdade. As respostas são limitadas. O populacho se embaraça. A visão de liberdade é sempre a partir de um ângulo pobre. Noutro vídeo, uma apresentadora infantil de programas infantis canta o índio brasileiro. Quis rir. Ou chorar seria mais apropriado?
Noutro instante, Joaquim Silvério dos Reis, o traidor, surge expondo as vísceras da Inconfidência Mineira e também nossa ignorância crônica. Zé Carioca morre e é condenado ao inferno. E há sempre uma cartomante de palavras esperançosas. Afinal, como dizia aquela campanha, o brasileiro não desiste nunca.
O trabalho dos músicos tem de ser ressaltado, também, pois não se poderia imaginar o espetáculo sem a intervenção musical consistente que já é característica da Cia. Neste momento mesmo, em que digito estas linhas, parte da trilha toca em minha mente.
Se em outras ocasiões, esses antropofágicos foram buscar referências na tragédia grega, nos contos de fada ou no cinema de Buñuel, agora é diferente. A peça é fruto de um trabalho árduo em que as referências surgem do cotidiano e de uma história nada gloriosa.
A visão de paraíso sucumbe em festa. Horror em progresso. Quero vê-los de novo, antes que termine a temporada, em 27 de setembro. E penso que muito mais gente deveria vê-los.
Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte 1: Estação Paraíso
Ficha Técnica
Dramaturgia: Cia. Antropofágica
Roteiro e direção: Thiago Reis Vasconcelos
Direção musical: Lucas Vasconcelos
Músicos: Bruno Miotto (bateria), Bruno Motta (violão), Frederico César (clarinete) e Lucas Vasconcelos (piano e acordeon)
Elenco: Alessandra Queiroz, Andrews Michel, Clayton Lima, Daniela Leite, Danilo Santos, Fabi Ribeiro, Flávia Ulhôa, Gilberto Alves, Haroldo Stein, Martha Guijarro, Raphael Gracioli, Renata Adrianna, Ruth Melchior, Thiago Calixto, Valter Paulini.
Local: Espaço Cultural Pyndorama
Preços: R$ 5,00 (sexta) e R$ 10,00 (sábado e domingo).
Datas: 24 de julho a 27 de setembro de 2009.
Horários: Sexta, 21h; sábado, 20h; domingo, 19h.
Saibam mais aqui.
Beijos e abraços, povo vicioso de uma nação viciosa!
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Alessandro
às
13:22
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Quantas vezes passado e presente se confundem? Quantas vezes um pode cair na mesma armadilha? Não se sabe ao certo, nem se deve saber, uma vez que cada um tem a possibilidade de criar suas próprias trilhas. Esta poesia nasce na fronteira da ilusão e do desejo. É apenas mais uma poesia do mundo criada sob tais condições.
Lembrança do Sol que Ainda Virá
Sonha de sol.
Tira as roupas pesadas e mostra-se ao mundo.
O vento acaricia simplesmente.
Nada mais lá fora.
Não as palavras vazias.
Não a distância entre dois pontos.
Não o conflito entre discurso e prática.
Tudo está morto,
exceto pelo sonho.
Quantas vezes um pode passar pelos dias de frio, aguardando pelo sol? Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: ORNATOS VIOLETA - Ouvi Dizer > THE BEATLES - Within You, Without You.
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Alessandro
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15:39
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Há certos dias em que...
The Beginning of Love and Music, de Alfred Gockel (Alemanha).
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Alessandro
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15:56
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Há certas poesias que nascem de uma única frase. De um rápido vislumbrar a tempos que gostaríamos de deixar onde devem ficar - no passado -, mas sempre acabamos por rememorar.
Não Ofereça Flores a Fantasmas
esvazie as gavetas de memórias carcomidas pelas traças
recuse à trágica dama Mentira o direito da última valsa
máscaras de ontem já não servem e não protegem mais
dirija sem temor para outro lugar que queria ter visitado
a direção oposta lhe convida e pode ser muito atraente
há tanta gente nova que aguarda ansiosa um novo você
agora que já sabe que o engano era imaginar-se certo
destrone o absoluto imperador da ilusão que alimentava
pois como era o mundo antes, nunca mais poderá ser
não tenha piedade alguma de quem pode lhe sangrar
não ouça os sussurros de quem lhe implora a voltar
não ofereça flores aos fantasmas que habitam ao redor
eles não podem sentir o odor
Muito me agradaria que esta poesia fosse o último adeus a uma fase que não deixará saudade. Espero que, sim, seja isto.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: MOONSPELL - The Hanged Man.
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00:54
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Um tanto às cegas, mas era assim que eu queria.
Por isso, penso que a poesia a seguir pode ir além de uma definição. Poderiam ser tantos temas, que definir um a limitaria. Em sua introspecção, talvez aborde um pouco de cada tema que me é caro. E quem me conhece há algum tempo sabe quais são meus temas caros. Quem não conhece, que passe a conhecer agora.
Gostos e Gozos
Dos gostos, o amargo.
A sensação de partir o perfeito espelho
dos melhores intenções.
Que parecem não existir.
Já não soa a poesia:
há o mundo e sua miséria.
Cubra meus olhos, por favor.
Tentarei enxergar o que não há.
Tentarei acreditar nas palavras que tanto me traíram.
Que há amor.
Que há progresso.
Que há ordem.
Há uma casa muito grande, na qual adentro.
Sigo o caminho que leva a uma escada.
Um momento glorioso aguarda acima.
Porém os degraus...
altos como os muros repletos de cercas elétricas
produzidas pelas fábricas do medo.
Intransponíveis?
Quem sabe, não.
Gosto de outro gosto. Não o amargo que predomina hoje.
O doce que se imagina de uma boca.
O sal das águas do mar.
Parto do desconsolo.
Rumo ao inclassificável, o que não pode ser adivinhado.
Uma voz chama do alto da escada.
Já se discerne uma silhueta.
Quem? O quê?
Ouço a voz, vejo o vulto.
Mas com toda a poluição,
já não se sabe quem está lá
nem o que diz.
Parto do desconsolo à esperança
de que a distorção feneça.
E que, assim, haja
dos gozos, o amor
àquilo que chamam de viver.
Da próxima vez, quem sabe a poesia terá outro gosto? Beijos e abraços, pessoal!
Ah, sim... sei que ando em falta com a leitura dos blogs amigos. Há uma falha técnica no compartimento craniano que será corrigida em breve e logo estarei de volta às leituras dos amigos... eh eh eh!
NA MINHA VITROLA: ASOBI SEKSU - Sing Tomorrow's Praise.
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Alessandro
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02:01
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Eis que retorno! E dizem que a imagem diz tudo, né? Então tá.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: NEUN WELTEN - Heidenacht.
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Alessandro
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13:29
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Mas quem não vive assim, não é verdade?
Entrevidas
Hoje ele é entre vidas.
Hoje ele é.
Entre o brilhante e o opaco.
O som e o silêncio.
As músicas, as flores e o sol.
E a lama.
Entre uma vida e outra, permanece vivo.
Atrevido.
Porque não era. Não podia ser.
Mas é. E vai.
Briga.
Extasia-se.
Cai de novo.
Levanta-se.
Tarde demais.
Na hora h.
Fúria e ternura.
Hoje ele é.
E que bom que é. Óbvio, que valor se daria ao prazer sem se vivenciar a dor? Todo mundo precisa de um pouco disso.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: ASPIDISTRAFLY - Red Toe Nails (remixed by Haruka Nakamura) > HARUKA NAKAMURA - Luz (remixed by Aspidistrafly).
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Alessandro
às
22:19
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Breve poesia para (não) esquecer.
Uma Identidade
Já quis fazer poesia.
Pra esquecer.
Já quis encher a cara. E encheu.
Mas só se lembra.
Já teve a fantasia.
De sumir.
E aparecer noutro lugar.
Outra face. Outro nome. Outro tudo.
Não deu.
Tem somente o que é.
E descobriu: não é tão ruim.
Não pode. Não quer.
Não vai esquecer.
Não vou me esquecer dos beijos e abraços pra vocês, pessoal!
NA MINHA VITROLA: THE BRIMSTONE SOLAR RADIATION BAND - If Man Is Still Alive > Norwaii Five-O > The Spirit of the Airborne Hogweed.
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Alessandro
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13:16
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... sobre virtudes e erros.
A Virtuous Woman (2009), de Martha Lever (EUA).
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Alessandro
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10:13
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A queda pode ser definitiva. Eu acredito que não, nem todos os quixotes, como o daqui debaixo, caem para sempre.
Abyss, 2008-2009, de Iwan Kulik (Ucrânia/Polônia).
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Alessandro
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09:26
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Para que haja vida. Para que alguém aja.
Haja Vida
Há esses dias de hiato
em que um fica imobilizado.
em que há um gesso, não gestos.
em que há uma letra h.
nada muda. nada de heroico ou hediondo.
mas noutras horas,
a letra h forma sons.
Com c, é chama; e com l, calha.
Com n, a palavra não definha.
Ao menos, um sabe que haverá outros momentos. De ação, também. Sem h.
Gosto assim, que tudo termine. Até essa poesia manca.
Até os hiatos.
Haja vida.
Para todos vocês! Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: CORALIE CLÉMENT - Sono Io > On Était Bien > Houlala > La Reine des Pommes > Paris, Dix Heures du Jour.
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Alessandro
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16:22
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A palavra, às vezes, é breve e diz tudo.
No Name # 0
Júlia começou a viver quando esqueceu a perfeição numa esquina qualquer. Depois, foi a um salão de beleza. Enquanto fazia as unhas do pé, sorria.
Beijos e abraços, amigos!
NA MINHA VITROLA: U2 - Breathe > Cedars of Lebanon > JOLIE HOLLAND - Crush in the Ghetto > Mehitibell's Blues > Springtime Can Kill You.
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Alessandro
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17:31
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Longo tempo, tempo longo. Não estou aqui. Agora, sim. Gosto disso. Gosto de vocês. Mas fujo, entendem? É preciso que entendam. Ou nada é preciso. A minha confusão é reflexo da confusão maior. Estou aqui. Tentando ser honesto. Minha maior loucura é isto aqui. Não preciso dizer mais nada.
Salvação
Por favor, não me procure amanhã
que estarei ocupado.
Provavelmente trabalhando
pela salvação do meu bolso.
Não estranhe, não pergunte.
Eu no seu lugar
preferiria não saber.
Nunca observei sábados,
a não ser as donas quase desnudas
que passam pelo portão de casa
nos dias de sol e calor intenso.
Acredito em qualquer segunda-feira
de quaisquer paixões.
Vejo acontecer nos trens
enquanto escuto uma canção.
No meu coração cabe uma imagem.
Era a Monroe cravada na cruz.
Acredite quem quiser,
estava tão natural
que tive ganas de subir e beijar
aquela boca que dizia...
o que dizia mesmo?
"eles ainda não imaginam o que fazem".
A gente faz tanta,
tanta coisa desimportante.
Sociedade não tem nexo
mas tem dinheiro para nos comprar.
Eu mesmo me vendo e não tão caro.
Se quiser meu pé, por um pouco a mais pode levar também a perna.
Afinal, as peças são facilmente substituíveis e,
pensando bem, até gostei de sua oferta.
Então venha amanhã bem cedo,
antes que pedaços de mim estejam em falta.
Fazer-o-quê? São as regras do mercado... Um "eu-te-amo" sentido faria milagres.
Mas não se encontra em qualquer prateleira.
Vamos correr, meu bem, antes que chegue o horário de pico.
Cada qual para seu lado e
sem juízo algum.
Dylan e Madonna sabem bem.
O tempo vai mudar.
Sei que ninguém quer ir,
mas vamos fugir da enchente
e dos ratos de esgoto que já foram e um dia voltarão a ser os ratos do porão.
Não tenho fim pra estas ideias doídas
Doídas, nada. Sem dor, que já vendi a minha.
Também meu dom teve preço. Teve.
Auf Wiedersehen, inocência! Farewell, tolas crianças.
Farei seu jogo sem fazê-lo.
Procurem-me quando parecer que eu não estou. Salvo quando estiver perdido.
A imagem? Ah, a imagem. Sabia que haveria algo na internet relacionando a Monroe com uma cruz. Gostei de ver. Ela foi publicada originalmente aqui, até onde sei.
Beijos e abraços, pessoal!
NA MINHA VITROLA: MOLOTOV - Voto Latino.
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Alessandro
às
01:51
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