
É tempo de alguém morrer e se tornar um mito. Talvez não em nosso provinciano país, que tem uma das bandas largas mais caras do mundo, onde o transporte público de alguns grandes centros também é um dos mais caros. Talvez não em se tratando de um músico que transpirava emoção e que revitalizou um gênero um tanto esquecido.

Eu havia baixado alguns discos dele por indicação de alguns amigos que também ainda não o conheciam, mas que tinham curiosidade, tanta quanta eu passei a ter a partir do momento em que eles me falaram a respeito. Passaram alguns meses, mas a curiosidade não era suficiente pra eu ouvir estes discos. Eu era uma "draga musical", sugando tudo o que a internet podia me disponibilizar. E Elliott morreu justamente em 21 de outubro de 2003, entre o período em que eu pela primeira vez baixara alguns de seus discos e o momento em que eu o escutei pela primeira vez. Eu não sabia, tampouco meus amigos.
Na segunda ou terceira audição, fui cativado definitivamente. Os meus CDs preferidos eram, num primeiro momento, o EP Roman Candle (1994) e o quarto disco Figure 8 (2000). Era início de 2004, acabara de ser lançado o póstumo From a Basement on the Hill, que é meu "vício" até hoje. Então fui pesquisar sobre Elliott, pra saber mais sobre a carreira, os discos, as letras, as possibilidades de ele vir ao Brasil, quando leio a "notícia-baque".
Alguns meses antes, quando eu descobria seus discos no Soulseek, ele tivera uma discussão com a namorada, Jennifer Chiba. Segundo a versão oficial, logo após a discussão, ela trancou-se no banheiro do apartamento de Elliott, para depois ouvir os gritos do músico. Duas facadas no peito (incrível, não?) e Elliott terminava a própria vida. Há um inquérito aberto até hoje pra tentar solucionar o caso e os fãs mais ardorosos têm a certeza de que Chiba, na verdade, o matara, de que não fora suicídio.
A verdade é que Elliott passava por um momento conturbado. Era o processo de abstinência. Havia dado um basta nas drogas, no álcool, nos tranquilizantes, na terapia e resolvera vencer por si mesmo. Não foi o que aconteceu...

Dominava diversos instrumentos musicais: violão, piano, clarinete, gaita, baixo e bateria. Após se formar em Filosofia e Ciências Políticas, em 1991, foi trabalhar em uma padaria de Portland. É nessa época que formou o Heatmiser, que tinha uma sonoridade bem grunge e era comparada, também, com Fugazi. Em 1994, em meio a uma crise que detonaria o fim do Heatmiser, Elliott lançou solo o EP Roman Candle. Com o fim da banda, ele se agarrou à carreira solo, para, em seguida, lançar Elliott Smith (1995) e Either/Or (1996), pelo selo Kill Rock Stars.
A virada na carreira do músico se daria em 1997, quando, a pedido do diretor de cinema Gus van Sant, compôs a música Miss Misery para a trilha sonora do filme Gênio Indomável (Good Will Hunting). No ano seguinte, concorreu ao Oscar por esta música e se apresentou no palco da celebração. Provavelmente uma das mais bizarras, senão a mais bizarra, apresentação musical do Oscar. Smith não se sentia à vontade nem um pouco, mas apesar de sua timidez, a qualidade de sua música o levou para a DreamWorks, melhor prêmio do que ganhar o Oscar (conquistado por Celine Dion, com My Heart Will Go On, de Titanic - desculpem se me descontrolo, mas... bleeeeeeeargh!).

Quando decidiu interromper sua vida, as músicas que dariam "corpo" a From a Basement on the Hill estavam quase prontas - aliás, algumas ele já as tocava em shows há anos, em versões mais folk. Após sua morte, poucos reparos foram necessários e, em 2004, o disco foi às lojas... e à internet, claro.
Se aqui o músico é quase completamente ignorado, nos EUA, incontáveis fãs lamentaram o infortúnio e seguem visitando o muro de Los Angeles que aparece na capa de Figure 8, deixando mensagens, flores e todo tipo de homenagens ao morto. CDs e shows-tributos são comuns e imagino que hoje haverá um bocado desses shows acontecendo.
Em 2007, foi lançado um CD duplo, chamado New Moon, com vários B-sides de Elliott. Mais de um ano antes, havia sido espalhada na internet uma compilação que pode ser considerada uma "prova" de New Moon, batizada pelos fãs de From a Basement on the Hill II.

De qualquer forma, hoje há um aniversário. E, numa data como esta, tem de haver presentes. Por isso, convido-os a celebrar a passagem deste cara que, sim, é meu ídolo, dos poucos que tenho. Abaixo está toda a discografia oficial, mais algumas coletâneas de B-sides, que disponibilizo pra que vocês possam desfrutar da mesma arte que eu. Basta vocês clicarem nas figuras correspondentes a cada disco.
Roman Candle (1994)

Elliott Smith (1995)

Either/Or (1996)

XO (1998)

Figure 8 (2000)

From a Basement on the Hill (2004)

New Moon (2007)

B-Sides
From a Basement on the Hill II
À vontade, amigos. Beijos e abraços!
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