
Ao Longe, as ChamasSelo somali com detalhes de O Inferno, parte do tríptico
O Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch.
Quando tudo estiver,
por fim,
em seu fim,
quero estar numa planície gramada,
longe do jardim de concreto,
da cidade que devora as carnes.
As pessoas se espremerão nos trens,
em desespero, quando
o céu ganhar uma cor inédita.
Estarei ao longe.
Já estarei quando a autoestrada do sul estiver congestionada.
Tocará Gainsbourg na minha rádio,
haveria amigos, poesia
e algo mais para beber.
Em fartura.
Não, não será como quero.
O último espetáculo não será assim.
É, provavelmente não será, mas permitam-me imaginar.
Imagino, com permissão ou não.
Na minha mochila velha e suja
carregarei tudo que tiver havido:
prazeres, alegrias e, porque um cara não pode prescindir disto,
também levarei os fracassos.
A memória. Brindemos à memória.
Rumo ao nada definitivo.
Num instante entre deslumbramento e deslumbramento,
questionarei a razão de tudo isto, desta existência.
Por que estar no mundo quando se sabe que tudo desaparecerá?
Não sei, não compreendo. Sei que estou, por ora.
E terei aproveitado jatos de esporádicas alucinações de felicidade
entre os enormes blocos de rotinas suportáveis e outras menos.
Que seja incomum o fim,
vislumbrando as sufocantes chamas que consomem os arranha-céus.
Que os amigos bailem,
que o último sorriso venha fácil
antes de desaparecermos na névoa do todo que se conclui.
Beijos e abraços, pessoal!
NO VHS
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