sábado, 5 de junho de 2010

(Vida) em construção


Vamos lá, que é hora de fazer este espaço ser alguma coisa mais uma vez.

Então vou começar contando como vai a vida.

Neste ano, tive propostas de trabalho bem cedo. Foi animador e também recompensador. Apenas um mês e uma semana depois do último freela de 2009. E os quatro meses que passei na editora grande de livros didáticos valeram a pena. Dez dias de folga e lá estava eu assumindo outro compromisso, outro freela, noutra editora, essa um pouco menor, mas também com nome no mercado.

Claro que é muito bom ter desafios e experiências novas pro currículo. Mas é custoso, também, quando se mora num bairro relativamente afastado de tudo e quando se vive numa cidade tão insana, com uma população enorme e igualmente louca como São Paulo. Por isso, tive a certeza de que, morando próximo de onde as coisas acontecem, tudo seria mais fácil. Mas não é fácil dar este passo sem haver uma certa estabilidade.

Verdade que trabalhei e sigo em frente, mas tal estabilidade ainda não existe. Não se pode planejar a vida a contento quando o que você tem são freelas, por mais generosos que possam ser pra você. Uma hora isso passa, simplesmente.

Enquanto estava pelas vias de metrô, ia pensando no sentido de tudo isso (e às vezes essas reflexões - e as viagens - eram/são interrompidas por algum maluco que se atira[ra] na linha do trem).

Não, não reclamo de trabalho. Esse Alessandro que reclamava acabou, até que deem motivo. Não me deram tais motivos, felizmente. Mas pensava no porque de uma pessoa se locomover entre lugares distantes pra ter dinheiro. A resposta era prática: as contas em dia, a cirurgia da mãe, pequenos confortos e alegrias particulares. E, diabos, esta história de locomoções é a coisa mais comum que há.

Mas sacrifiquei minha criatividade e este espaço sofreu os efeitos disso. Não porque a rotina corrida exigisse isso. Não era tanto o caso. Era mais a velha questão que me afligia desde o ano passado, sobre a validade de continuar produzindo poesia num contexto em que tanta gente pouco lê.

Mentira! Puro egoísmo. Se há esse contexto, há um outro que me é muito particular. Porque no decorrer da vida, fui construindo meu universo. E posso dizer que escolho a dedo quem pode entrar nele. Afinal, posso escolher não ser afetado pelo contexto global.

Foi assim que me vi cercado de pessoas interessantes, que tem sim interesse em leituras. São pessoas que "leem o mundo" tanto quanto eu. Umas um pouco menos, outras um pouco mais. E prova disso é que este blog não deixou de ter certa visitação durante minhas longas "férias". Não foram raras as vezes que me perguntavam, em encontros combinados ou fortuitos, se eu estava escrevendo algo.

Bom, fiz pouco disso e não publiquei aqui. É provável que não publique aqui muito do que escrevo, nos próximos tempos, porque volto a ter projetos. E alguns desses projetos exigem ineditismo. Mas este espaço não estará mais abandonado.

Pois se perderá algo sobre minha própria produção, ganhará em "projeção do externo". Sem perder a alma. Então não se preocupem, gente minha.

Sempre voltarei. De uma forma ou de outra. E, a partir de agora, com mais frequência.

Já não é mais hora de esperar ou refletir. É hora de fazer acontecer.

Beijos e abraços. E não deixem de torcer por mim.

PS: A foto que abre este post é minha, com alterações providenciais (ou um pouco over - não deixem de me dizer, se for o caso) feitas no Picasa, do Google.

NA MINHA VITROLA

Um comentário:

Talita Barboza disse...

Eba! fico feliz com a sua volta! e que a vida não está te dando motivos para reclamar! Vai vivendo, go!

Firme e forte!

beijos orgulhosos de ti!