quarta-feira, 3 de maio de 2006

Relatos da Capital Baiana - Parte 1: Solo Soteropolitano

Bom, amigos viajantes, hoje começo o relato de minha viagem. Espero que apreciem as paisagens que vivenciei. Aí estão as iniciais:


Relatos da Capital Baiana - Parte 1: Solo Soteropolitano

Ia para outra cidade, a salvadora. Uns bons dias fora de casa, não havia planejado bem quantos, mas vale. Um frio na espinha quando dentro do avião, primeira vez acima das nuvens. O futuro se apresentava, mas um amigo do passado, um dos grandes, por sinal – daqueles que se afastam só porque é preciso seguir outro caminho, como diz o lugar comum –, foi fortuitamente encontrado naquele vôo. A conversa fez o frio da espinha passar.

Duas horas e mais um pouco depois, ali estava eu, saindo do aeroporto e “tchau, camarada!”. Vinha a trabalho e deveria voltar no mesmo dia. A chegada também era despedida, então. Ponto zero para o turista que fui, ali havia alguma Baiana, para eu ter certeza de que estava no lugar certo. Vi as barracas de acarajé, mas não era o momento. Mais me interessava ir logo ao encontro da amiga que me receberia gentilmente (o que de fato foi). Uma amiga de conversas pela rede e que vez por outra está por aqui, assim como fazem vocês. Já era tempo: dois anos e até mais de promessa de visita.

Enfim, ali estava. Cometi um engano, de primeira. O único. Discutível, porque, de certa forma, foi um engano que deu certo. Cara de sorte, eu.

Dias antes, havia pedido à amiga indicações de como encontrá-la. Pois bem, após informá-la sobre o horário em que eu chegaria, recebi as coordenadas. Teria de pegar um ônibus, o Praça da Sé, e foi o que fiz. Só não havia reparado, quando subi, que a passagem custava R$ 4,80. Susto. Nem tanto. Em movimento, reparei em outros ônibus o adesivo com os preços... variavam entre R$ 1,60 e 1,80. Fui lesado pela minha desatenção. Nem tanto. O ônibus fez um tour de mais de uma hora pela cidade. Dentro do ônibus, o primeiro contato com Itapuã, Jardim de Allah e uma dezena de praias, além de avenidas importantes da cidade. Era bom e instrutivo mas, claro, fiquei apreensivo pela demora. Procurei relaxar com os lugares, belos. Propagandas turísticas não mentem, neste caso. E, confesso... sou um maldito abelhudo, porque prestava atenção às conversas dos passageiros, que eram, em maioria, turistas como eu. Boa parte, gringos. Justifico minhas orelhas ligadas... treinava minha audição em inglês, que nunca foi muito boa.

Depois do loooongo passeio de ônibus, desci onde deveria descer e, após uma pergunta e outra, cheguei ao local, o consultório da amiga, médica. Sem traumas. Como ela estava em consulta, sua recepcionista, já avisada, entregou-me roteiro e carta da patroa, que indicavam os primeiros passos curiosos. Deixei minha mochila mais que cheia no consultório e lá estava eu andando pelas ruas do centro histórico.

Após andar um pouco e observar os lugares e as pessoas, a primeira refeição. Não me lembro exatamente do que me servi no self-service Pelourinho abaixo, mas me satisfez. Sem mal-estar algum. Ah, sim... o tempero é realmente diferente, percebe-se pelo feijão. Ok, qualquer mongolóide sabe disso. Vou tentar contar algo que espante o bocejo de vocês.

Subi fumando meu tradicional cigarrinho pós-refeição. O suficiente para um rapaz magérrimo, de aparência paupérrima, que vendia colares e outros badulaques me parar, pedir um cigarro e me "presentear" com uma fita do Bonfim e um colar que ele disse ser "espanta-mau-vendedor". Ora vejam... deixei-me levar pela conversa, só pra ver o que seria, ou era a inércia causada pelo cansaço. Quis me vender outros colares, três por R$ 10,00 (já que eu era brasileiro e não gringo, caso contrário, ele venderia os mesmos três colares por R$ 30,00, assim me disse). Então começou a me mostrar os lugares, como um guia. Pediu para acompanhá-lo e o acompanhei, um pouco desconfiado. Teria eu de me garantir, mesmo não gostando de violência? Bela chegada, Alessandro... entramos numa praça meio recolhida, que estaria vazia, a não ser pela presença de duas mulheres. Eram umas 17h00 e paramos frente a mesas de um restaurante que parecia fechado. Daí ele me disse "ali na frente rola um forró todo final de semana" ou algo assim. E também isto: "será que não dava pra você me pagar um almoço e aí eu dou esses três colares pra você?". O sinal ficou vermelho na minha cabeça. Já ia ficando assim, progressivamente. Então falei que estava sem dinheiro, pela vigésima-oitava vez. Ele insistia. Eu negava. Despedi-me, fui embora. Quando eu já ganhava a rua, apareceram uns tipos estranhos. Imaginei se iriam ao encontro do carinha lá atrás e pensei que foi certo sair da cena, mas... será que o cara não queria almoçar mesmo? A resposta já não se pode saber. Ou fui um bunda-mole sem coração ou fui um tonto que se deu conta em tempo.

Uma vez que não sou lá um religioso, e alguns de vocês sabem bem disso, ignorei as igrejas (não deveria, pelo valor artístico) e, acima da cidade baixa, podia ver, não tão distante, o mar, que me aguardava no dia seguinte. Estória para outra postagem.

Desci o Elevador Lacerda e me dirigi ao Mercado Modelo. Na praça ante o mercado, vi uns cordéis. Legal! Depois eu posto uns pra vocês. Comprei-os, já um pouco preocupado, porque não estava com "aqueeeela grana". Teria algo depositado em dois dias e só me restava pouca do mês anterior. Estava cansado. Voltei ao consultório e tentei conversar com a recepcionista e um paciente na sala de espera, mas o sono me levou a nocaute. A recepcionista me deixou num quartinho isolado, numa cama bem típica de consultório, para eu descansar. Foi o que fiz. Quando acordei, já era noite.

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Em breve ENCONTRO

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Ah, sim... reparem que, além da primeira parte do relato sobre Salvador, há outra novidade no blog. Há também, agora, uma ferramenta para que vocês se cadastrem e recebam as novidades sobre minhas viagens pelas palavras ou a outros lugares... eh eh eh! Basta apenas que preencham o campo na coluna à esquerda, logo abaixo do "About Me". Divirtam-se. Beijos e abraços!

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NA MINHA VITROLA: PEDRO LUIS E A PAREDE - Astronauta Tupy (CD completo).

5 comentários:

Liliane disse...

to lokinha pra...
Passar uma tarde em Itapuã...
bjoks

Rafael Mafra disse...

Ei, Alessandro, como está?
Eu já tinha lido esta primeira parte. Cadastrei meu e-mail no lance aí do lado, mas sem saber direito como funciona. E mesmo assim instalei também lá no Canetas. E o Título Provisório está desde o começo lá em cima, talvez algum dia eu mude.

Fomos convidados pra participar de um encontro de zineiros, no dia 21 se não me engano. Aliás, convidados como zineiros e também como grupo. Chamaram o Prop(h)anos para participar ou realizar um sarau no evento. Só resta confirmar local e horário. Se encontrar as pessoas por aí, convide-as.

Abraços!

Julius disse...

América Latina, América Latina. No hay explicación. No hay. Medellín, Rosario, Quito... Salvador. Um mundo refeito em 500 anos. Ya, ya, ya. Os espero allí.

SACANITAS disse...

vc nao conhecia a anfitria? entendi bem?

bom, acho que deveria ter visitado as igrejas. tudo pela arte!

hum, que carinha estranho hein! ainda bem que nao aconteceu nada!

to esperando o proximo post! :)
posta fotos da viagem tambem!
beijosss

Ana Maria disse...

Eu acho que os dois poderiam fazer uma viagem sem volta pro Iraque ou um país africano, exceto a África do Sul.