domingo, 16 de julho de 2006

Divagações sobre Cinema ao Voltar do Quarto de Vídeo

Um momento para si, é tudo o que qualquer um deseja. Não sou diferente. Meus momentos, gosto de passar com amigos queridos e não vou negar que tenho alguma sorte em tê-los em bom número, de todos os tipos e em todos os lugares que vou.

Às vezes, reúno alguns deles no que eu chamo de "quarto de vídeo". É um quarto parecido àquilo que os portugueses chamam de água-furtada (mas sem o charme das águas-furtadas portuguesas). Neste quarto reúno meus livros, a maioria dos meus CDs, meus velhos discos de vinil e muitos filmes, em VHS e DVD, assim como os aparatos para desfrutar de tudo isso. Além disso, uma cama em que cabem três convidados sentados e uma cadeira de escritório toda torta onde me sento para ver os filmes, quando há os convidados. Foi assim hoje.

Vimos 21 Gramas, do mexicano Alejandro González-Iñárritu. Um show de interpretação dos atores e de edição. Um estória simples, mas fragmentada de forma genial. Os despreparados certamente se perdem e perdem o interesse. Mas não estávamos despreparados. Metade de nós já conhecia o filme, aliás.


Bom, fiquei me perguntando "por que raios gostamos tanto desse tipo de filme?". Porque... poderíamos nos interessar por blockbusters mais óbvios, que não exigem tanta atenção. Mas sim... nos prendemos a este tipo de filme nada relaxante num momento em que os amigos deveriam descontrair. Bom, descontraímos o suficiente. E este é o meu jeito e o jeito da minha gente.

Acontece que não é aí que quero chegar, ainda. Apenas começo. E começo falando do óbvio prazer de ver filmes. Vou falar de dois projetos que estão por chegar às telas. Um parece tão óbvio, que é quase um absurdo que não tenha sido feito antes.

O outro, um projeto aguardado pelos fãs daquele cinema que podemos chamar de "cult". Neste projeto, há sinais de que haverá soluções que, se confirmadas e bem utilizadas, deixarão alguns de queixo no chão.

Vamos ao primeiro, o óbvio.

Bom, quem dos leitores daqui parou para pensar que está faltando um filme de Oliver Stone sobre 11 de setembro? Ah... não imagino se alguém andou pensando estas coisas, mas que o filme vem, vem. Já está pronto, aliás. Eu particularmente não me interesso muito pelos trabalhos do sr. Rocha, com exceção de Platoon. Mas, em todo caso, vamos ver o que o site da Folha de S. Paulo têm a mostrar sobre o novo filme do cara:

15/07/2006 - 23h50
Oliver Stone defende em NY seu filme sobre o 11 de Setembro

Agência Efe, em Nova York




O polêmico diretor Oliver Stone defendeu hoje em Nova York a "correção" de seu último trabalho, o filme sobre o ataque às Torres Gêmeas dos EUA, no qual tentou fugir da polêmica para mostrar com simplicidade o drama do 11 de Setembro.

"Provavelmente, trata-se de um filme politicamente correto, mas poderei viver com isso", disse o diretor americano em entrevista coletiva ao apresentar World Trade Center.

Acompanhado pelos protagonistas Nicholas Cage (McLoughlin) e Michael Peña (Jimeno), Stone se defendeu das críticas de alguns jornalistas que aludiram à excessiva correção do filme, sobretudo quando se leva em conta a polêmica carreira cinematográfica do diretor de Nascido em 4 de Julho, JFK e Nixon.

Neste sentido, Stone reconheceu que, frente a seus trabalhos anteriores, "trata-se de um filme estilisticamente mais simples".

Até o momento, só a imprensa especializada teve a oportunidade de ver todo o filme que narra as horas que o sargento John McLoughlin e o oficial Will Jimeno, da Polícia do Porto de Nova York, permaneceram presos sob os escombros das Torres Gêmeas.

Segundo Stone, a motivação para envolver-se neste projeto foi "o desafio de mostrar as emoções dos quatro personagens principais durante uma tragédia que, cinco anos depois, ainda impressiona".

O diretor americano assegurou que a partir daquele fatídico dia de 2001 tudo mudou, no entanto também mostrou sua esperança de que "algum dia consigamos viver em um mundo pacífico".

O ator Nicholas Cage assegurou que não se deve misturar a política, em referência à situação atual no Iraque, com um filme "cuja história termina em 12 de setembro (de 2001)", e que trata da "experiência humana e emocional de dois heróis".

Por sua parte, Will Jimeno se mostrou "muito satisfeito" com o trabalho realizado pelo diretor, embora tenha reconhecido que para ele o filme é "duro de ver", devido à proximidade temporal e ao realismo com o qual se conta a tragédia.

O filme estreará nos cinemas dos Estados Unidos em 9 de agosto.

Bom, quem viver até lá verá. Naturalmente, há a opção de não ver, também. Mas o site Cinema em Cena fala do projeto que mais está me interessando:

Wasington (2007)

Elenco: Nicole Kidman, Bryce Dallas Howard - em negociações.
Equipe Técnica: Lars Von Trier (Diretor); Vibeke Windeloev (Produtor).
Estréia: A definir.

Notícias da Produção

24/05/2005
17h50


Depois que Nicole Kidman viveu Grace em Dogville e Bryce Dallas Howard ficou com o papel em Manderlay, pode ser que as duas se unam em Wasington. Durante o Festival de Cannes, onde Manderlay foi lançado, Nicole contou ao jornal Daily Mail que ela e Bryce devem dividir a personagem no terceiro filme. “Lars [Von Trier] tem conversado com Nicole assim como com Bryce, a idéia é ter ambas em Wasington”, confirma o produtor Vibeke Windeloev.

Apesar de as negociações já estarem engatinhando, a produção de Wasington só deve começar em 2007. Von Trier quer ter mais tempo para tratar o roteiro. Nesse meio tempo, ele volta aos princípios do movimento Dogma e filma The Managing Director of It All, o que deve acontecer no início do próximo ano.

Wasington será a terceira parte da Trilogia Americana do diretor dinamarquês, iniciada com Dogville. Quando soube que Nicole não poderia voltar para o segundo filme, Von Trier decidiu usar uma atriz diferente para cada um, mas chegou a uma nova e incomum solução.

É... para quem é fã de carteirinha dos filmes do Lars von Trier e acompanhou as duas primeiras partes da Trilogia Americana, é pra ficar intrigado. E... por que raios Wasington e não Washington, como seria natural? Bom, tomara que dê certo e que seja um grande filme. Estou aguardando. Enquanto aguardo, outros filmes serão vistos na minha quase-água-furtada sem o charme lusitano.

Beijos e abraços, pessoal!

Fontes das matérias:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada
http://www.cinemaemcena.com.br

Fontes das ilustrações:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br
http://www.hollywoodjesus.com
http://www.kissatlanta.com

NA MINHA VITROLA: ELLIOTT SMITH - Big Decision > VAN MORRISON - It's All Over Now, Baby Blue > BADLY DRAWN BOY - I Was Wrong.

3 comentários:

Rafael Mafra disse...

Alessandro, como vai?
É necessário lembrar que aquilo não é um quarto. Está mais para uma vídeo-disco-biblio-e tudo mais-teca (está certo, isso?).
De cá, continuo assistindo aos filmes na sala. Na de casa ou nas dos cinemas. Em casa, geralmente, é triste (embora seja legal também e mais confortável), pois não há locadora de vídeo que preste naquele remoto lugar onde vivo, então fico limitado a assistir filmes como: "Sideways" (aquela coisa "legalzinha", saca?), "Frankstein" ou "Ken Park". Enquanto isso, meu desejo é assistir coisas como "A Proposta", "Laranja Mecânica (é, não assisti ainda) e outros do Lynch e do Kubrick mesmo. Mas conversamos outra hora!

Abraços!!!

Cristiano Contreiras disse...

Ah, Dogville é fantástico! ainda vou fazer um post dedicado a ele.

21 Gramas é um sôco na boca do estomago. Lembro que assisti logo depois de ter visto, no mesmo dia, Peter Pan...
a sensação foi totalmente oposta. O filme permaneceu na minha mente o dia todo.

abraços

Marco disse...

wasington...

Vamos ver como o Lars vai sair de Cannes com o ultimo da trilogia... aplaudido como no Dogville ou vaiado no Manderlay???

Vamos fazer um bolão... hahahaha...

Mas com certeza vai ser um filme foda... deixar akela sensação esquisita no final do filme como acontceu com dogvile... e um pouco menos com Manderlay

Owwww... lembrei... quero assistir o Amelie Poulain!!!!

Vamos marcar um dia...

Abrass...