sábado, 8 de julho de 2006

Samba da Sibéria

Tinha um início na cabeça. Sentei frente ao micro e desenvolvi. Automático, depois da primeira escrita, um ajuste ali, outro acolá. Só pra ficar mais desarranjado. Eu gostei. Talvez não seja um texto bom, mas a sensação no momento de compor é verdadeira. Sei lá, julguem vocês...


Samba da Sibéria

Tenho feito o carnaval parar
ou seguir
na minha cabeça
um tanto zonza de informação,
de canção,
frases e boatos que não quero ouvir.

À noite, quando paro em algum bar,
tento sorrir
ou sonhar,
que ser livre é viagem demais...
aonde vou depois
senão pra minha cama de pregos?

Isso não me torna especial,
porque com você é assim
e pros nossos amigos também
mas sempre dá pra fingir
que não é com qualquer um de nós.
Ou encarar.

Essas palavras que eu escrevo
têm aqui dentro o sabor de um samba
modesto e quase bossa velha
deixando um cheiro de mar
que ainda não naveguei.
Mas o que eu faço agora?

Estou feito prisioneiro na Sibéria
e carrego o peso de um mundo,
que eu me preocupo
com o que não posso mudar.
Então só resta
mudar a mim.

Hoje ainda vai ser um dia bom
pra tentar
e cantarolar a letra do samba
que eu nunca compus,
mas que sei de cor.
Ou calar.

Onde a gente vai chegar, amigo?
Onde colocar os versos
que não se encaixam na canção
do mundo?
Mas hoje mesmo vai ser um dia bom
pra escapar um pouco.


Seria bom se fosse samba. É só um poeminha sem vergonha de ser livre e quase sem ritmo. Mas eu dou um jeito no próximo sarau. Beijos e abraços!

Foto: Praça do Carmo, Funchal, Portugal.

NO MEU HD CRANIANO: Esta poesia > Recordações da Casa dos Mortos > Los Hermanos > Vinícius de Moraes > Vontade de viver.

2 comentários:

sansorai disse...

Quero ver voce cantando!!!
Se cantar eu danço!!!

Anônimo disse...

Leio e releio este poema...cada vez que o faço gosto mais dele...também não sei o porque...
mas sinto um cheiro bom...
Bjs, Carla