domingo, 17 de dezembro de 2006

Máscara ou verdade

Um breve diálogo. Uma solução que não é original, mas que não seja. Leiam, leiam, amigos:


Máscara ou Verdade

- Acho que é assim mesmo.

- Sim, você está melhorando.

- Foi um baita tempo até eu ficar bem. Não sei como me segurei até agora.

- É normal. Mas eu vi você nessa gangorra por muito tempo mesmo.

- Gangorra?

- Sim, às vezes você ficava bem, mas de repente... vinha toda aquela depressão de novo... e qualquer coisa era motivo. Qualquer sinalzinho. E às vezes você pode interpretar tão mal os sinais...

- Acho que entendo... eu me esforçava pra me sentir bem e deslizava muito fácil até a tristeza.

- Deslizar até a tristeza... eh eh eh! Que poético, meu amigo. Sabia que já passou o tempo da poesia? Mas... quer mesmo saber? Parece que agora você sorri naturalmente. Pelo menos, é o que eu acho. Isso é máscara ou é de verdade?

- Um pouco dos dois. Usando a máscara, chega uma hora em que você acredita que está sorrindo naturalmente. E, depois, realmente está rindo e já não sabe do quê.

- Humm... vejo que está consciente, apesar de tanto álcool na cabeça. Isso é bom. E eu concordo, sei como é. Já vi tanta coisa assim...

- Você fala de um jeito... vai dizer que isso nunca aconteceu com você?

- Ah, não... eu sou um cara durão, sabe como é?

- Fala a verdade, vai...

- É sério. Não há nada na vida que valha o sofrimento.

- Mentira... você é como esses outros aí, ao redor. Diz que não sofre só pra manter a sua máscara. Você acredita mesmo nisso?

- Cara, eu tenho um compromisso agora. Sabe como é... tem uma galera me esperando. A gente conversa depois, ok?

- Tá ceeeeeeeerto! Bom, eu tenho uns lances pra fazer também. Até!

- Até!

E assim se foram, um pra cada lado. E o espelho continuou ali, no mesmo lugar, guardando as expressões das pessoas que por ali passavam. E assim continua...

Amigos, amigos, isso é tudo por ora. Beijos e abraços!

NA MINHA VITROLA: ELLIOTT SMITH - Alameda.

3 comentários:

Ramon Alcântara disse...

Dorian Gray e Lord Henry Worton mandam lembranças....

Julius disse...

E de pensar que a gente acreditou que um dia as coisas seriam diferentes...

Rafael Mafra disse...

Ei, cara, bom texto! Aliás, há tempos queria dizer isso, mas a net no trampo não deixa!
De qualquer forma, gostei bastante.
Estou de volta, como percebe.
Se quiser passar lá em casa esses dias. Ou hoje ou sexta que vem, do final do ano... fica à vontade. Chama o pessoal se quiser. Foi todo mundo viajar por lá. A casa está livre.
Nos falamos!
Abraços!!!